O regresso da desordem
Pichação de muro revela os desejos do analfabeto politizado em relação ao País
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de julho de 2019
Pichação de muro revela os desejos do analfabeto politizado em relação ao País
Paulo Briguet 
Nunca me canso de admirar a riqueza de nosso idioma. Deveríamos agradecer a Deus todos os dias pela língua de Camões e Pessoa, Machado e Euclides, Bandeira e Corção, Cecília e Adélia, Olavo e Mário, Braga e Nelson. No entanto, a última flor do Lácio vem sendo criminosamente despetalada nas últimas décadas. A educação brasileira está entre as piores do mundo, como consequência direta do veneno ideológico que se tem ministrado às crianças e aos jovens. Nesse holocausto da inteligência, a primeira vítima é a língua portuguesa.

Bertolt Brecht tem um famoso poema sobre o analfabeto político; no Brasil, a educação paulofreiriana criou o analfabeto politizado. Trata-se daquele jovem que não tem o menor domínio sobre o idioma, mas ainda assim deseja utilizá-lo como arma política.
Passava eu outro dia pelas redondezas do Lago Igapó, quando a Rosângela me chamou a atenção para uma pichação na esquina. Certo de que estava tendo um gesto revolucionário, o pichador (certamente um jovem, a não ser que tenha sido um desses estudantes eternos das universidades públicas) assim escreveu:
DESORDEM E REGRESSO
Salta aos olhos que o sujeito (ou eu deveria grafar sujeitx?) tinha a intenção de parodiar o lema de nossa bandeira, “Ordem e Progresso”. No entanto, o redator de muros falhou miseravelmente. Ao procurar o contrário de “ordem”, optou por “desordem”, o que já é indicativo de sua esqualidez vernacular, vez que a palavra “caos” expressaria com muito mais eficácia o sentido antagônico desejado.
O nosso poeta do spray, contudo, superou-se ao escolher a palavra “regresso” como oposto de “progresso”. Evidentemente, foi uma escolha errada. Regresso significa o ato ou consequência de voltar, de retornar. Se o pichador estivesse procurando um antônimo para progresso, a língua portuguesa teria à sua disposição inúmeros termos que se encaixariam no caso: retrocesso, recuo, atraso, crise, decadência, declínio, degradação, queda, quebra, empobrecimento, ruína, degeneração, deterioramento, ocaso, decréscimo, piora, diminuição, descida, abismo. Tudo aquilo que o PT fez ao Brasil.
Mas, como até um relógio parado acerta duas vezes por dia, o analfabeto politizado acabou revelando, sem querer, os seus verdadeiros sentimentos em relação ao País. Como ele odeia tudo aquilo que dá certo e gera prosperidade, a ideia de progresso lhe é repugnante. Ele não está preocupado com o futuro do Brasil, com o bem-estar das pessoas ou mesmo com a proteção das minorias. Nada disso importa diante do maior objetivo de seus companheiros ideológicos.
Eis o pichador definido em toda a sua amargura: o que ele quer é uma desordem tal que permita o regresso da esquerda ao poder. Alguns chamam isso de revolução, outros de utopia; eu chamo de crime.
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