O primeiro professor do Brasil
Conheça o padre jesuíta Vicente Rijo (1528-1600), que dá nome à maior escola pública de Londrina
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quinta-feira, 16 de maio de 2019
Conheça o padre jesuíta Vicente Rijo (1528-1600), que dá nome à maior escola pública de Londrina
Paulo Briguet 

Várias vezes, em minha vida de caminhante, passando pelo cruzamento das avenidas JK e Higienópolis, perguntei a mim mesmo quem seria Vicente Rijo, que dá nome ao nosso maior colégio estadual. Graças a uma amiga leitora, a resposta me veio em um velho artigo do célebre educador paranaense Francisco José Gomes Ribeiro.
O jesuíta português Vicente Rijo foi o primeiro professor do Brasil.
Nascido no ano de 1528 às margens do Rio Tejo, com o nome de Vicente Rodrigues, ingressou na Companhia de Jesus e fez parte do primeiro grupo de jesuítas enviados ao Brasil, chegando à Bahia em 29 de março de 1549. Eram apenas seis religiosos, e uma terra imensa e desconhecida por educar. Vicente ainda não era ordenado, mas um simples "irmão".
Quinze dias mais tarde, já funcionava ali, no Recôncavo Baiano, a primeira escola do Brasil, construída pelos jesuítas e destinada aos índios. Escreve Gomes Ribeiro: “É a aurora da História da Educação no Brasil, e o primeiro mestre dessa escola, fundada pelo Padre Manuel da Nóbrega, foi o modesto irmão jesuíta Vicente Rijo, nome quase desconhecido nos meios educacionais de nossa terra”.
A história de Vicente Rijo certamente daria um romance. Em sua incansável missão, ele sobreviveu a dois naufrágios e participou da fundação de três grandes cidades (Salvador, Rio de Janeiro e São Paulo). Além de ser o primeiro professor, foi também, segundo o historiador Serafim Leite, o primeiro padre a receber a ordenação em território brasileiro, pelo bispo Dom Pedro Fernandes Sardinha.
Para ser ordenado, era necessário aprender o latim. Problemas de saúde — sobretudo uma otite que lhe acompanhou por toda a vida — haviam atrasado os estudos do irmão Vicente em Portugal. Nisso ele foi auxiliado por São José de Anchieta, que lhe ensinou o idioma de Virgílio. Em 1560, aos 32 anos, Vicente recebeu os votos perpétuos da Companhia.
Mesmo torturado por uma dor de cabeça persistente, Vicente assumiu funções importantes nas escolas dos jesuítas. Em 1556, ao lado de Estácio de Sá, participou da luta contra os franceses e tamoios. No meio de uma terrível batalha, caiu de joelhos e implorou a proteção de Deus. Na mesma hora, um depósito de pólvora explodiu e espantou os invasores. A vitória foi atribuída ao fervor da prece de Vicente.
Passou os últimos 15 anos de vida no Rio de Janeiro, trabalhando no Colégio da Companhia de Jesus. Seu necrológio, escrito pelo Provincial dos jesuítas, comove pela brevidade: “Faleceu o padre Vicente Rodrigues, de cinquenta e um anos de Brasil, plenus diem, de grande bondade, paz, humildade e edificação para todos os de casa e os de fora”.
O nome Vicente significa “vencedor”. Que a vitória, a disponibilidade e o sacrifício de Vicente Rijo se tornem um modelo para todos os professores do Brasil.


