Imagem ilustrativa da imagem O martírio de um padre
| Foto: Pedro Lorenzo

Diante do martírio vivido pelo nosso querido Padre Antonio Fiori, que está sendo perseguido por incomodar forças políticas estranhas à Igreja, é, para mim, inevitável pensar no protagonista do livro “Diário de um Pároco de Aldeia”, do escritor francês Georges Bernanos (1888-1948). Selecionei algumas passagens da obra que parecem saídas da consciência do Padre Fiori.

“Nada conhecemos realmente deste mundo; não estamos no mundo.”

“Um dia você compreenderá que a oração é justamente um outro modo de chorar; as únicas lágrimas que não são de fraqueza.”

“O olhar da Virgem é o único olhar verdadeiramente infantil, o único verdadeiro olhar de criança que jamais se fixou em nossa vergonha, em nossa desgraça. Sim, meu filho, para implorá-la bem é preciso sobre si este olhar que não é exatamente o da indulgência — pois a indulgência vem sempre acompanhada de certa experiência amarga —, mas o olhar da terna compaixão, da dolorosa surpresa, de não sei que outro sentimento inconcebível, inexprimível, que a faz mais jovem que o pecado, mais jovem que a raça da qual ela mesma procede; e ainda que seja Mãe pela graça, mãe das graças, é também a caçula do gênero humano.”

“A verdade é que, desde todo o sempre, é no Jardim das Oliveiras que me encontro. (...) Já não é muito que Nosso Senhor me tenha feito essa graça de revelar-me que sou prisioneiro da Santa Agonia?”

“Se nosso Deus fosse o dos pagãos ou o dos filósofos (para mim, é a mesma coisa), em vão se refugiaria no mais alto dos céus; nossa miséria o precipitaria de lá. Mas a senhora sabe que nosso Deus foi ao encontro de tudo. Pode-se-lhe mostrar o punho fechado, cuspir-lhe no rosto, flagelá-lo e, finalmente, pregá-lo numa cruz: que adiantaria? Isso já foi feito, minha filha.”

“O inferno é a ausência do amor. Enquanto estamos nessa vida, podemos iludir-nos: crer que amamos por nossas próprias forças, que amamos fora de Deus. Somos iguais aos loucos que estendem os braços para o reflexo da Lua, na água.”

“Terrível coisa! A ignorância, a doença, a miséria devoram milhares de inocentes; e, quando a Providência, por milagre, proporciona um asilo onde possa florescer a paz, vêm as paixões esconder-se ali; ali se instalam, e põem-se a uivar dia e noite, como feras...”

“O padre é como o médico: não deve ter medo das chagas, do pus, da sânie. Todas as chagas da alma supuram, minha senhora.”

“O tempo está perfeitamente em dia com a minha... ia dizer: a minha alegria, mas a palavra não seria exata. Esperança conviria melhor. Sim, imensa, maravilhosa esperança que está presente até no sono, pois foi positivamente ela que me fez despertar essa noite. Dei comigo de olhos abertos, no escuro, e tão feliz que a impressão de felicidade era quase dolorosa, à força de ser inexplicável. Levantei-me, bebi um copo d’água e rezei até o amanhecer. Era como um grande murmúrio da alma. Fazia pensar no imenso farfalhar das folhas que precede o nascimento do dia. Que dia vai nascer em mim? Deu-me Nosso Senhor essa graça?”Depois do martírio, sempre virá a redenção.

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