O herói da Rio-Niterói
Parabéns ao trabalhador-herói que soube dar um final feliz para um conto da vida real
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quinta-feira, 22 de agosto de 2019
Parabéns ao trabalhador-herói que soube dar um final feliz para um conto da vida real
Paulo Briguet 

Domingos Pellegrini escreveu um conto intitulado “A maior ponte do mundo”. É a história de dois eletricistas norte-paranaenses que participam da construção da ponte Rio-Niterói, no regime militar. Tão boa que foi incluída na coletânea “Cem Melhores Contos Brasileiros do Século”, publicada em 2001. Jamais esquecerei o heroísmo do personagem-narrador e de seu amigo trabalhador, apelidado de 220 Volts.
O ônibus da linha Alcântara-Estácio, na manhã de terça-feira, levava 38 pessoas, das quais 37 eram trabalhadores como 220 Volts. Um dos passageiros, no entanto, resolveu trocar o mundo do trabalho pelo mundo do crime naquele dia. Apesar de sofrer problemas psicológicos, o sequestrador conseguiu planejar sua ação: levou gasolina para incendiar o ônibus e dezenas de lacres de plástico (desses usados em bagagens) para imobilizar as vítimas. Chamá-lo de doente mental, e não de criminoso, é uma ofensa à imensa maioria de loucos que não cometem crimes.
Até pouco tempo atrás, esse tipo de criminoso tinha uma espécie de salvo-conduto para ferir e matar pessoas inocentes. Em situações semelhantes — como no caso do ônibus 147 ou no caso de Eloá Pimentel —, os facínoras estiveram na mira dos policiais, mas alguma autoridade decidiu que eles não poderiam ser executados. Os resultados dessa política, nós conhecemos.
Mas na terça-feira não foi assim. De fato, a situação começou a mudar desde 1º de janeiro, quando a bandidagem começou a ser efetivamente combatida no Brasil, como atestam a queda em TODOS os índices de crimes contra a vida e o patrimônio. Agora, no entanto, nós tivemos um marco nessa virada histórica. O criminoso se deu mal — e os trabalhadores inocentes foram salvos. Se tivéssemos um governo leniente com o crime, aquele ônibus poderia ter virado uma imensa pira de cadáveres.
Toda história tem seus heróis. No conto de Pellegrini, era o eletricista 220 Volts. No conto da vida real, foi o sniper que matou o sequestrador. A morte sempre deve ser lamentada, e como cristão eu rezei pela alma daquele infeliz. Mas a sua morte evitou uma carnificina. Aqueles tiros salvaram vidas: não apenas as 31 vidas que se encontravam em poder do sequestrador, mas a de muitos jovens que deixarão de entrar para o mundo do crime por saber que não serão poupados pelas forças da lei.
Parabéns ao trabalhador-herói, também chamado policial, que soube dar um final feliz a essa história da vida real. Graças a ele, o povo aplaudiu o desfecho do sequestro na ponte. Não festejou a morte, mas a vida. Não exaltou o ódio, mas a esperança. E só não entende isso quem se recusa a soltar a mão da mentira.
De minha parte, desejo que a mentira continue presa por mais 5 mil dias.


