Imagem ilustrativa da imagem O exemplo de um padre santo
| Foto: Paulo Briguet

Dias atrás assisti a um vídeo que mostrava o depoimento de um senhor de 96 anos a um tribunal de pequenas causas nos Estados Unidos. O velhinho estava sendo acusado de trafegar acima da velocidade permitida. Indagado pelo juiz sobre o motivo da pressa, o senhor respondeu:

“Eu estava levando meu filho ao hospital.”

“Quantos anos tem seu filho?”

“Ele está com 63 anos e sofre de câncer.”

O juiz, visivelmente emocionado, diz ao réu:

“Parabéns! Aos 96 anos, ainda está cuidando do filho! O senhor é um exemplo de pai.”

Essa história me emocionou particularmente porque foi impossível não pensar em meu pai. Se Paulo tivesse 96 anos, ele faria por mim a mesma coisa que aquele pai fez por seu filho. Até por que eu nunca aprendi a dirigir...

“Padre” significa “pai”. É aquele que dá a vida por seus filhos. É aquele que protege as ovelhas contra os lobos. É aquele que luta até a morte para defender aqueles que ama.

Há exatamente 78 anos, em 14 de agosto de 1941, um padre polonês chamado Maximiliano Maria Kolbe estava preso no campo de concentração de Auschwitz, quando um dos prisioneiros de seu setor conseguiu fugir. A regra dos nacional-socialistas era cruel: para cada prisioneiro fugitivo, dez deveriam morrer de fome e sede.

Entre os dez presos escolhidos para morrer, estava um sargento de 40 anos chamado Franciszek Gajowniczek, que chorava inconsolavelmente. Padre Maximiliano teve compaixão daquele homem; foi até o comandante do setor e disse:

— Eu sou um padre católico da Polônia. Gostaria de tomar o lugar desse homem, porque ele tem mulher e filhos.

A troca foi aceita. Padre Maximiliano e mais nove presos ficaram trancados, sem água e sem comida, numa cela escura, úmida e pequena. O sacerdote passava os dias rezando com os companheiros de infortúnio. Ao final de suas semanas, quando os soldados alemães abriram a porta da cela, Maximiliano estava vivo, com mais dois outros prisioneiros. Os nazistas mataram-no com uma injeção de ácido carbólico.

Em 1982, o padre Maximiliano Maria Kolbe foi canonizado por um conterrâneo, o papa João Paulo II. Entre os que assistiram à cerimônia, estava presente Franciszek Gajowniczek — o homem que o santo salvou em Auschwitz. João Paulo II deu ao santo polonês o título de “Padroeiro do nosso difícil século XX”.

Todos os dias eu rezo pedindo a intercessão de São Maximiliano Kolbe. Não apenas porque ele foi um grande mártir e herói, mas também porque ele foi um modelo para a minha profissão. Criou revistas, jornais e rádios para divulgar a fé católica a milhões de pessoas. Creio que, ao lado de S. Tomás de Aquino e S. Francisco de Sales, ele pode ser considerado como santo dos escritores e jornalistas.

S. Maximiliano Kolbe é um exemplo do que é ser padre: dar a vida pelos filhos. Exatamente como faz um bom pai.

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