Imagem ilustrativa da imagem O Barão do Povo
| Foto: Acervo/Fundação Cultural de Curitiba

“Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos.”

(Jo 15,13)


Há 125 anos, morria um dos maiores heróis da história do Paraná e do Brasil: o Barão do Serro Azul. Ele foi preso e assassinado por defender os interesses do povo contra os interesses dos políticos. Tinha apenas 46 anos.

Ildefonso Pereira Correia (1847-1894) notabilizou-se como o mais importante líder empresarial e comunitário de Curitiba em seu tempo, tendo sido fundador e primeiro presidente da Associação Comercial do Paraná. Homem culto e empreendedor, era dos maiores produtores de erva-mate no país. Teve importante atuação no movimento abolicionista, pela qual recebeu da Princesa Isabel o título de Barão do Serro Azul, em agosto de 1888.

Amado pelo povo de sua cidade, o Barão do Serro Azul sacrificou a própria vida para defendê-lo. Durante a Revolução Federalista de 1894, que dividiu o país entre aliados e adversários do ditador Floriano Peixoto, Curitiba viu-se abandonada pelo então governador do Estado, Vicente Machado, diante da iminente invasão da cidade pelas tropas federalistas.

Permanecendo junto com a população curitibana, o Barão negociou um tratado de paz com o líder federalista Gumercindo Saraiva. Evitou, assim, o derramamento de sangue entre a população civil. O historiador Túlio Vargas, biógrafo do Barão, afirma que Serro Azul desdenhava o poder político. “Preocupava-o somente o bem supremo da sua gente, a garantia dos direitos individuais, a integridade dos valores comunitários, a salvaguarda da honra das famílias.”

Semanas depois, quando Curitiba voltou ao domínio dos legalistas, Serro Azul foi escolhido como bode expiatório. Os inimigos o acusavam de “traidor monarquista”. Preso pela ditadura, acabou sendo levado de trem, na calada da noite, para o que pensava ser um julgamento justo no Rio de Janeiro. Não era. Na altura do Pico do Diabo, foi obrigado a descer do trem e fuzilado com mais cinco amigos. Esse crime aconteceu na noite de 20 de maio de 1894 — há exatos 125 anos.

Reabilitado décadas depois, o Barão do Serro Azul hoje está no panteão dos Heróis da Pátria, ao lado de gigantes como José Bonifácio e Tiradentes. Nos tempos que vivemos, o sacrifício do Barão do Povo nos faz pensar na importância dos heróis. E mais uma vez eu recordo as palavras do helenista grego Menelaos Stephanides:

“Enquanto houver covardia, haverá também bravura; enquanto houver maldade, haverá também virtude; enquanto houver mesquinhez, haverá também grandiosidade. O mal gera o bem, assim como o inverno traz a primavera. Os homens simples admiram os heróis, acreditam neles e com isso adquirem força. E essa é a força que impele para frente as gerações humanas.”

Neste domingo, faça como o Barão do Serro Azul. Antes de pensar em si mesmo, pense no povo.

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