Se você quer entender as turbulências da civilização ocidental nos dias de hoje, sugiro que leia o livro “Apocalipse — A História de Padre Elias”. Publicado no Brasil pela Ecclesiae, o romance do autor canadense Michael D. O’Brien narra com maestria a guerra espiritual em que estamos mergulhados.

Imagem ilustrativa da imagem O Apocalipse de hoje
| Foto: iStock

Na introdução do livro, O’Brien esclarece que sua obra se insere no gênero apocalíptico, ou seja, é uma peça de literatura que lida com o fim da história humana. O romance tem como protagonista Davi Schäfer, um judeu-polonês sobrevivente do Holocausto nazista que se torna um importante líder político em Israel. Depois de sofrer uma nova tragédia em sua vida pessoal, Schäfer converte-se ao catolicismo, adota o nome de Padre Elias e passa 20 anos vivendo como monge no mosteiro do Monte Carmelo, nas proximidades de Haifa, Israel.

Um dia, sem a menor explicação, o Padre Elias é chamado pelo Papa no Vaticano para uma missão delicadíssima: tentar converter o próprio Anticristo. A figura do Papa é claramente inspirada em S. João Paulo II; o Cardeal-Secretário, braço direito do pontífice, parece-se bastante com Joseph Ratzinger (o atual Papa emérito Bento XVI); e o Anticristo lembra alguns dos líderes políticos, autoproclamados defensores da paz e da igualdade, que desejam instituir um governo mundial através da ONU.

O’Brien consegue a proeza de escrever um livro de grande profundidade espiritual e teológica que, ao mesmo tempo, pode ser lido como um thriller policial da melhor qualidade — em 700 páginas que passam voando! Para que você possa ter uma ideia do talento literário do autor, reproduzo a seguir alguns trechos dessa obra fascinante:

“Certas figuras no palco mundial estão agora se movendo em direção ao rebanho, para um ataque definitivo. Está se aproximando o momento em que elas farão todo esforço que puderem para dividir e destruir. Elas choram paz, paz, mas não existe paz. Seus corações estão cheios de morte e assassinato. Elas odeiam o rebanho de Deus e, ainda assim, são proclamadas salvadoras em todo lugar. Isto também está dentro do plano da Providência divina. Isto também é permitido por Ele, pois o confronto final entre a Igreja e a anti-Igreja precisa acontecer. É algo que vem sendo adiado de geração a geração. Em nossa época, eu acredito, é chegada a hora.”

“Qual era o maior milagre, a suspensão da lei natural em benefício da cura física, ou a conversão do coração humano pelo amor absoluto?”

“A luta entre o bem e o mal nunca pode ser resolvida com uma falsa paz, pela declaração de que não há bem ou mal, de que não há necessidade de se lutar. Tais proposições não levam o homem à liberdade; elas o levam à escravidão, e o fazem — Oh, mais amarga das ironias... o fazem em nome da liberdade.”

“Nós todos precisamos dar o salto mental das histórias piedosas que lemos sobre os mártires, nos livros, para a realidade da carne e do sangue vivos. Nossos primeiros mártires foram homens e mulheres reais, com suas próprias personalidades, suas falhas e grandezas. Nós não somos diferentes.”

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