Imagem ilustrativa da imagem Não tenhais medo
| Foto: Paulo Briguet

Há exatamente um ano, ao fim da primeira edição do Fórum Educação, Direito e Alta Cultura, em junho de 2018, a coordenadora do evento, minha querida amiga Cláudia Piovezan, notou que um rapaz solitário a esperava na porta de saída. Cláudia se aproximou dele e estendeu a mão para cumprimentá-lo.

O moço segurou a mão de Cláudia e começou a chorar. Em seguida, abraçou-a. Depois de alguns instantes, ele se acalmou e disse:

“Com esse Fórum, Cláudia, você salvou a minha vida. Eu sou professor de história e estava me sentindo perdido, sozinho. Achei que estivesse ficando louco. Hoje eu encontrei muitas pessoas que pensam nas coisas que eu penso e acreditam nos valores em que eu acredito. Agora sei que não estou mais sozinho. Obrigado!”

No último sábado, esse mesmo professor estava presente ao II Fórum EDA, e eu tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente. Notei que ele estava sorridente e calmo; não se parecia em nada com o rapaz solitário e angustiado descrito pela Cláudia.

Assim como aquele rapaz, imagino que milhares, milhões de pessoas em nosso país já se sentiram solitárias ao defender os valores que fundamentam a nossa civilização: a fé em Deus, o amor ao próximo, a família, o trabalho, o estudo, a cultura e o conhecimento da verdade. Oprimidos por utopias mentirosas e assassinas, homens e mulheres de bem se tornam reféns dos ideólogos que insistem em determinar o rumo de nossas vidas.

No contexto da guerra espiritual que o mundo vive hoje, projetos como o Fórum EDA e A Casa da Tolerância constituem verdadeiras tábuas da salvação para aqueles que amam a verdade, a bondade e a beleza. Eu sei que você, caro leitor, e a maioria das pessoas amam o que é verdadeiro, bom e belo. Mas sei também que existe uma legião de militantes contrários a isso tudo — e eles são poderosos.

Em certo de minha vida, eu estive do outro lado. Acreditava que a verdade, a bondade e a beleza eram conceitos relativos, cuja essência dependeria basicamente das circunstâncias do poder. Participar pela segunda vez do Fórum EDA — que reuniu alguns dos nomes mais importantes do pensamento conservador no Brasil — reforça o meu distanciamento das famigeradas utopias e me conduz para além dos sentimentos de otimismo e pessimismo em relação ao futuro. Sinto-me hoje, para usar a definição de Ariano Suassuna, “um realista esperançoso”.

Leon Bloy dizia que o acaso é o nome moderno do Espírito Santo. Então, estou livre para chamar de “acaso” o fato de que o Fórum EDA ocorreu um dia antes da Festa de Pentecostes, quando o Espírito Santo derramou sobre Maria e os discípulos os seus sete dons: temor de Deus, piedade, fortaleza, conselho, ciência, entendimento e sabedoria.

A mensagem final desse histórico evento nos foi deixada pelo maior crítico literário do Brasil, Rodrigo Gurgel: “Precisamos resgatar a realidade da linguagem, investigar o sentido de real de cada palavra, o que exige uma profunda mudança da existência. Nosso maior inimigo é o medo, e o nosso maior gesto de coragem é dizer o verdadeiro nome das coisas.”

Obrigado, Cláudia. O professor tinha razão: nós não estamos sozinhos.

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