Não julgarás
Jesus perdoa assassinos, ladrões, prostitutas, adúlteros e outros pecadores. Mas não perdoa quem não sabe perdoar
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terça-feira, 04 de junho de 2019
Jesus perdoa assassinos, ladrões, prostitutas, adúlteros e outros pecadores. Mas não perdoa quem não sabe perdoar
Paulo Briguet 

1. Um comentarista de rádio outro dia inventou o 11º mandamento: “Não julgarás”. É claro que se trata de uma besteira. O que Jesus disse — e não um novo mandamento — foi a seguinte frase: “Não julgueis para não serdes julgados” (Mt 7, 1). As pessoas, no entanto, esquecem-se de ler o que Jesus disse logo em seguida: “(...) pois, conforme o juízo com que julgardes, assim sereis julgados; e, com a medida com que medirdes, assim sereis medidos”. É impossível viver sem discernir entre o bem e o mal. Mas convém lembrar: ao emitir um julgamento, lembre-se de que você também será julgado.
2. Se você acha que Lula não merece a prisão, então deveria achar que os assassinos de Marielle também não devem ir para a cadeia. Tanto um em caso quanto no outro, o criminoso merecerá perdão de Deus, desde que expresse um arrependimento sincero. O perdão de Deus, no entanto, é diferente da condenação dos homens. Aquele se refere à vida eterna; esta regula e protege a vida em sociedade. Se o criminoso não emite nenhum sinal de que está arrependido diante dos seus irmãos — pelo contrário, clama por vingança e poder! — muito menos terá sido capaz de se arrepender sinceramente diante de Deus.
3. Jesus perdoa assassinos, ladrões, prostitutas, adúlteros e outros pecadores. Mas há dois tipos de pecadores que ele não perdoa: aquele que não sabe perdoar e aquele que não sabe se arrepender. Arrependimento e perdão possuem um vínculo tão forte quanto o dia e a noite: sem a luz do Sol não existe o luar; sem o arrependimento, não existe o perdão.
4. Alegre-se! O bom ladrão foi salvo. Acautele-se! O mau ladrão se perdeu.
5. Ontem li a passagem de um livro do venerável arcebispo americano Fulton Sheen (1895-1979), em que ele adverte sobre as terríveis consequências de ignorarmos o vínculo entre arrependimento e perdão, como querem alguns. Preste atenção no que pode surgir a partir dessa visão relativista:
“O Falso Profeta terá uma religião sem cruz. Uma religião sem um mundo por vir. Uma religião para destruir as religiões. Haverá uma igreja falsificada. A Igreja de Cristo será uma só, mas o Falso Profeta criará a outra. A falsa igreja será mundana, ecumênica e global. Será uma federação dispersa de igrejas e religiões formando algum tipo de associação global — o parlamento mundial de igrejas. Será esvaziado de todo conteúdo divino e será o corpo místico do Anticristo.”
“A lógica do Anticristo é simples: se não há céu, não há inferno; se não há inferno, então não há pecado; se não há pecado, então não há juiz, e se não há juízo, então o mal é bom e o bem é o mal. Mas acima de todas essas descrições, Nosso Senhor nos diz que ele será muito semelhante a Si mesmo, e que ele irá enganar até mesmo os eleitos — e certamente nenhum diabo jamais visto em livros ilustrados poderia enganar até mesmo os eleitos.
“Como ele virá nesta nova era para conquistar seguidores de sua religião? Ele virá disfarçado como um grande humanista; ele falará em paz, prosperidade e abundância não como meio de nos conduzir a Deus, mas como fim em si mesmos… Ele terá uma nova religião sem cruz; uma liturgia sem um mundo por vir; uma religião para destruir uma religião; ou uma política que é uma religião — que dá a César até as coisas que são de Deus.”


