Algumas pessoas perdem a fé e dizem: “Deus não atende aos meus pedidos”. Quem pensa assim não entendeu o que significa, para Deus, um pedido. Deus é a perfeição infinita; conhece todas as nossas verdadeiras necessidades e compreende quando formulamos de modo imperfeito o pedido que realmente está em nosso coração. Jesus diz: “Se um filho pedir um pão, qual o pai entre vós que lhe dará uma pedra? Se ele pedir um peixe, acaso lhe dará uma serpente?” Pois o fato é que nós vivemos pedindo pedras e serpentes a Deus, quando na verdade precisamos de pães e peixes.

Imagem ilustrativa da imagem Minha Mãe andou falando em vocês
| Foto: Shutterstock

Por falar em peixes, vale aqui rememorar uma passagem do Evangelho de São João. Jesus está à margem do lago de Genesaré. Pedro, João, Tiago — os apóstolos que depois testemunhariam a transfiguração no Monte Tabor e a agonia no Horto das Oliveiras — são ainda simples pescadores. Trabalharam a noite inteira e não conseguiram pescar um só peixe. Depois de pregar ao povo, Jesus diz a Simão Pedro que lance novamente as redes, agora em “águas mais profundas”. Diante daquele marceneiro que supostamente nada sabe de pesca, Pedro hesita. Mas resolve fazer o que Jesus ordenou, em respeito ao Mestre. Eis que as redes vêm tão carregadas de peixes que quase afundam os dois barcos dos pescadores. Então Jesus diz: “Não tenhais medo; doravante sereis pescadores de homens”.

Essa passagem ilustra de modo muito claro a atitude de Deus diante de nossos desejos e necessidades. É preciso ter cuidado e prudência com o que se pede a Deus, porque ele não só nos atende, como o faz de maneira tão generosa que acaba por nos dar muito mais do que esperávamos receber. E ainda: ao atender plenamente às nossas necessidades, modifica o nosso ser e o próprio sentido da nossa existência. Queríamos apenas alguns peixes; fomos transformados em apóstolos que vão oferecer a própria vida em nome de Deus.

O episódio das Bodas de Caná também envolve a questão do pedido. Acaba o vinho na festa de casamento, o que seria uma grande vergonha para as famílias dos noivos (provavelmente parentes de Jesus). A mãe de Jesus vai até ele e lhe pede que faça alguma coisa. A resposta de Jesus nos parece estranhamente ríspida: “Que queres de mim, mulher? Minha hora ainda não chegou”. Porém — e isto é fundamental — não se trata de uma negativa. Ele não só atende ao pedido da mãe, como transforma seis talhas de água (aproximadamente 600 litros!) em vinho da melhor qualidade. Tenho para mim que o principal objetivo de Jesus com o milagre de Caná foi fazer Maria pronunciar esta frase inesquecível e eterna:

— Fazei tudo que ele vos disser.

Quando achamos que Deus não atende aos nossos pedidos, Ele pode estar simplesmente dando a mesma resposta que deu à própria Mãe. Essa “frase ríspida” é nada menos que o prenúncio do milagre e o sinal da salvação. Deus leva nossos pedidos infinitamente a sério.

Neste sábado (3), às 10 da manhã, um grupo de fiéis de nossa cidade, do qual este cronista pecador faz parte, irá à escadaria da Catedral Metropolitana para rezar um terço na intenção da Igreja Católica de Londrina. Eu não tenho dúvidas de que Deus atenderá aos nossos pedidos — mas isso significará uma tremenda responsabilidade sobre todos nós. Se nos mantivermos firmes, sei que Jesus um dia nos receberá com a frase que o Venerável Fulton Sheen imaginou:

— Minha Mãe andou falando em vocês...

Fale com o colunista: [email protected]

mockup