Mãe e a rima perfeita
Os versos de um amigo leitor, os versos de um grande poeta e os versos de uma canção da infância
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de maio de 2019
Os versos de um amigo leitor, os versos de um grande poeta e os versos de uma canção da infância
Paulo Briguet
Fiquei feliz: a crônica em homenagem às mães, publicada neste final de semana, obteve grande sucesso entre os leitores da Folha de Londrina. Chegou a ser o texto mais lido no site do jornal.
Nesta segunda-feira, nova alegria. Abro a caixa de e-mail e leio um poema do amigo e leitor Rodrigo de Andrade Lopes.
A filosofia, segundo Aristóteles, nasce do espanto; a poesia pode nascer de uma surpresa. Rodrigo ficou intrigado com a minha afirmação de que mãe é uma palavra sem rima perfeita, e resolveu comentar esse fato em versos. Vejam só o resultado:
“Paulo me intrigou.
Escreveu que Mãe é de aço.
Mas disse, que Mãe só rima com Mãe.
Então, penso e faço.
Mãe realmente é de aço.
E rima com vida em compasso,
com amor, com abraço.
Mas o que eu faço, Paulo, com a rima que faço?
Mãe é vida, é luz, é brilho que reluz do aço.
Dura a vida toda, a força do aço, que nela tenho até no meu fracasso.
Pois Mãe perdoa, Mãe ama, com Mãe não há descompasso.
Mas o que eu faço, Paulo, com a rima que faço?
Mãe está em tudo, como o carbono de um lápis que um traço eu faço.
Traço da vida do filho que a Mãe assiste a cada passo.
É carbono, é ferro ou é aço.
Tudo junto me acompanhando na vida que com o lápis eu traço.
Mas o que eu faço, Paulo, com a rima que faço?
E com amor eu faço.
Seja carbono, seja ferro, ou seja, aço.
É com o carbono que a vida eu traço, aos olhos da minha Mãe de aço!!!”
(Rodrigo de Andrade Lopes – 12 de maio de 2019.)
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E já que estamos falando em poesia, gostaria de publicar aqui mais uma vez um poema do grande Bruno Tolentino (1940-2007), dedicada àquela que é a Mãe de todas as mães: Maria. Vejam vocês sete que beleza:
“Myrian-Maria, a quem um dia
um anjo fora rodear de luz,
anunciar-lhe o infante Jesus,
e vejam só: Myrian-Maria,
sendo mais limpa que a luz do dia
o anjo buscava-a e não a encontrava!
E olhava, olhava e se impacientava:
“Myrian-Maria” (onde andaria?)
tão igualzinha à mais pura luz,
que o pobre anjo vira, procura
e quase enlouquece! Era tão pura
quase não pôde nascer Jesus...”
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Após ler os versos de Bruno, pensava eu nessa pureza de Maria, quando me dei conta de que era 13 de maio — o dia da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos três pastorzinhos portugueses, em 1917. Vieram-me então à memória os versinhos que eu cantava na infância, quando era aluno da Casa Pia São Vicente de Paulo:
Mãezinha do Céu,
Eu não sei rezar
Eu só sei dizer
Quero te amar
Azul é teu manto
Branco é teu véu
Mãezinha, eu quero
Te ver lá no Céu...