Liberdade, abre as asas sobre o campus!
Movimento Docentes pela Liberdade reúne professores conservadores e liberais de todo o Brasil
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de maio de 2019
Movimento Docentes pela Liberdade reúne professores conservadores e liberais de todo o Brasil
Paulo Briguet
Por muitos anos, os professores não-esquerdistas estiveram condenados ao silêncio ou à solidão nas universidades brasileiras. Poucos docentes conservadores e liberais tinham coragem (ou paciência) para assumir publicamente suas posições políticas. Com a vitória de Jair Bolsonaro em 2018, eles começaram, digamos assim, a sair do armário.
Meu amigo Marcelo Hermes-Lima, professor do Departamento de Biologia Celular da UnB (Universidade de Brasília), era até alguns meses atrás uma das poucas vozes conservadoras que ousavam se manifestar no ambiente acadêmico brasileiro. No final do ano passado, Marcelo convidou um pequeno grupo de docentes de linha conservadora para discutir propostas para a educação no governo Bolsonaro. O grupo foi aumentando e hoje reúne mais de 300 professores conservadores e liberais de todo o Brasil. Desde 13 de maio (dia da Lei Áurea), o movimento já tem nome: Docentes pela Liberdade.
Marcelo Hermes é um dos cientistas brasileiros mais respeitados no campo da bioquímica. Seus trabalhos de pesquisa ultrapassam a marca de 5 mil citações em publicações internacionais — mais do que muitas universidades inteiras. Ao longo dos anos, paralelamente à sua atuação como bioquímico, Marcelo realizou pesquisas no campo da cientometria — a ciência que avalia o impacto, a relevância e a qualidade das pesquisas científicas.
O primeiro objetivo do movimento Docentes pela Liberdade, segundo Marcelo, é mostrar que os professores conservadores e liberais não estão sozinhos: “Mesmo em departamentos dominados pela esquerda, sempre há aquele professor que tem ideias diferentes, mas não se manifesta para não ser hostilizado. Nosso movimento tem muita importância para esses professores que se sentem isolados”.
Os Docentes pela Liberdade hoje estão em quase todos os estados brasileiros, e o número de adesões ao grupo só faz crescer. “Tenho recebido depoimentos emocionantes de professores que se dizem representados por nosso movimento”, conta Marcelo Hermes.
Com seus trabalhos de cientometria, Marcelo Hermes tem demonstrado que a qualidade da produção das universidades brasileiras não anda lá essas coisas. Os sete leitores da Avenida Paraná já tiveram a oportunidade de saber que as nossas universidades produzem muita pesquisa em termos de quantidade, mas com qualidade discutível. Por exemplo: de 2002 a 2016, houve um aumento de 290% na quantidade de artigos científicos publicados pelas universidades brasileiras. No ranking que mede o impacto das publicações, porém, amargamos um 53º lugar entre 66 países.
Quando essas informações vêm a público, é natural que as críticas apareçam... Depois de muitos anos falando praticamente sozinho em seu ex-blog, Marcelo Hermes tem sofrido ataques e xingamentos por parte da esquerda, mas não se abala. Ele sabe que cada vez mais professores estão dispostos a dizer o que pensam sobre a universidade brasileira, em busca de soluções justas e racionais. Liberdade, abre as asas sobre o campus!
(Para mais informações sobre o movimento, que não é restrito a docentes, basta enviar um e-mail para[email protected])