Levanta, menino
Uma criança de 9 anos está em profunda depressão. Rezemos para que Jesus alivie o seu sofrimento e salve a sua preciosa vida
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de setembro de 2019
Uma criança de 9 anos está em profunda depressão. Rezemos para que Jesus alivie o seu sofrimento e salve a sua preciosa vida
Paulo Briguet
Os Evangelhos narram três milagres de ressurreição realizados por Jesus. O primeiro é o da filha de Jairo; o segundo, o do filho da viúva de Naim; o terceiro, o de Lázaro. Todo acontecimento na vida de Jesus é, ao mesmo tempo, real e simbólico, ou seja, tem um caráter factual, mas também se desdobra em sentidos mais amplos. Para usar uma frase de Northrop Frye, a Bíblia não narra simplesmente o que aconteceu, mas o que acontece.
Recapitulemos os fatos. A filha de Jairo é uma garotinha de doze anos; quando Jesus vai ao seu encontro, ela acabou de morrer. O filho único da viúva de Naim está sendo levado em procissão até o túmulo; morreu talvez um dia antes. Lázaro de Betânia, porém, já está morto e enterrado há quatro dias.
As três ressurreições — que prefiguram a Páscoa — mostram a divindade do Filho do Homem. Se atentarmos para os detalhes de cada milagre, veremos que eles contêm lições preciosas para a nossa salvação pessoal. Nas três passagens mencionadas, evidencia-se que o ser humano não perde a vida de uma só maneira; é um processo que acontece progressivamente através das mortes e ressurreições dentro do nosso caminho existencial. A morte pode nos colher muito cedo, como no caso da filha de Jairo; pode nos conduzir passo a passo, como na procissão fúnebre do filho da viúva; ou pode nos enterrar a ponto de que ninguém mais acredite que voltaremos à vida, como em Lázaro. A maioria das pessoas já passou por essas três mortes ao longo da vida; eu já passei, e acho que você também.
Jesus, porém, salva a nossa vida em qualquer circunstância. Se você é uma criança, ele ordena que se levante (“Thalita cum!”) e depois ainda se preocupa em lhe dar alimento. Se você é um jovem, ele interrompe o cortejo e o coloca em pé. Se você é um homem maduro e já se encontra na escuridão do túmulo, ele remove a pesadíssima pedra que o separava da realidade. Em todos os casos, ele diz: “Eu sou a ressurreição e a vida”.
Escrevo estas palavras pensando em um menino chamado E., de apenas 9 anos, a idade do meu filho. Esse menino está em profunda depressão desde o dia em que perdeu sua querida bisavó, com quem era muito ligado. Filho de um casal de trabalhadores, o menino deixou de ir à escola e passa o dia na cama, prostrado, sem vontade de viver. Chegou a dizer, para desespero dos pais e da avó: “Deus, me deixa ir embora para ficar com ela”.
Desde que eu soube do drama de E., de sua dor profunda e comovente, passei a rezar incessantemente para que Jesus o reanime e faça a voltar a ser o menino alegre e inteligente que ele sempre foi. E peço a vocês, meus queridos leitores, que também rezem por E., para que ele volte à vida como a filha de Jairo. Sim, porque Jesus sabe que ele apenas dorme, ainda não morreu. E, ainda que o mundo nos pareça cruel e árido, jamais nos deixará indiferentes ao sofrimento de uma criança.
Levanta, menino!
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