Hoje eu tive uma aula estranha
Mãe e filha conversam sobre uma atividade escolar em que o principal conteúdo foi a revolução socialista
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de novembro de 2019
Mãe e filha conversam sobre uma atividade escolar em que o principal conteúdo foi a revolução socialista
Paulo Briguet 

— Boa noite, filha. Tudo certo na escola?
— Mais ou menos, mãe. Hoje eu tive uma aula estranha.
— Estranha? Como assim?
— A professora disse que a gente teria um evento.
— Como assim, evento? Não era dia de aula normal? Por que ninguém me avisou de nada?
— Não sei, mãe. Só sei que era uma atividade obrigatória, iam passar a lista de presença. Quem não fosse levaria cinco faltas.
— E você não pode levar mais faltas, não é, filha?
— Pois é, estou “pendurada”, tive que ir.
— Conta mais. Quero saber de tudo.
— Os alunos foram levados para o pátio da escola. De repente, umas pessoas desconhecidas começaram a gritar “Marielle vive! Marielle vive!” Foi assim que começou.
— E o que eles ensinaram nessa aula?
— Isso é que é o mais estranho, mãe. Ensinaram a fazer Revolução.
— Como assim? O que isso tem a ver com Matemática, Português, Ciências? O que isso tem a ver com a prova do Enem?
— Sinceramente, não sei... Eles disseram que a polícia é ruim, é fascista, é opressora. Que a PM bate nos estudantes e maltrata os pobres.
— Mas não contaram que, graças à polícia, todos os crimes estão diminuindo no Brasil? Que os homicídios caíram 20% e as apreensões de droga aumentaram 70%? Milhares de pessoas pobres deixaram de ser mortas...
— Não, para eles o governo está fazendo um genocídio dos negros e pobres nas periferias. Por isso, é preciso fazer a Revolução.
— E como vai começar essa Revolução?
— Eles disseram que precisamos seguir o exemplo do Chile, onde as pessoas se revoltaram contra o governo neoliberal.
— Você sabe que no Chile eles estão colocando fogo nas ruas, nos prédios públicos e até no metrô? Que já morreram 20 pessoas nos protestos? Você sabe que o Chile tem os melhores indicadores sociais da América Latina?
— Sim, mãe. Você me falou de tudo isso. Mas lá eles disseram tudo ao contrário. Para eles, o exemplo de democracia é a Venezuela.
— A Venezuela, onde as pessoas estão caçando cachorro para não morrer de fome?
— E não foi só isso, mãe. No fim, alguns casais de homens começaram a se beijar. Era um protesto contra a sociedade heteronormativa.
— Você filmou isso com o celular, minha filha?
— Não, mãe. A professora proibiu gravações. Disse que isso é coisa do “Escola Sem Partido”.
— E como é que terminou a aula, minha filha?
— Terminou que os professores de Revolução saíram do colégio e fecharam a rua com um protesto. Gritavam “Marielle vive!” e “Lula livre!” Eu não entendi o que isso tem a ver com a escola...
— Isso não pode ficar assim, filha. Vou gravar um vídeo para que todos saibam o que aconteceu.


