Gabriel G. derruba o muro
Professor Gabriel Giannattasio obtém uma importante vitória contra o apartheid ideológico na Universidade
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de setembro de 2019
Professor Gabriel Giannattasio obtém uma importante vitória contra o apartheid ideológico na Universidade
Paulo Briguet 

A Avenida Paraná tem acompanhado o caso do professor Gabriel Giannattasio, que vem sofrendo uma absurda perseguição ideológica dentro da UEL. Pois hoje nós temos uma ótima notícia para quem defende a democracia e a liberdade: o professor Gabriel recuperou na Justiça o direito de ministrar integralmente as aulas da disciplina Metodologia da Pesquisa Histórica III. O juiz da 2ª Vara da Fazenda Pública de Londrina, Emil T. Gonçalves, concedeu nesta semana uma liminar para que a disciplina não seja mais dividida por duas turmas. Em outras palavras: a Justiça acaba de derrubar o Muro de Berlim que alguns pretendiam erguer dentro da Universidade. Veja a seguir a entrevista que Gabriel G. concedeu a esta coluna:
Qual é o significado desta decisão para você e para a UEL?
É uma decisão a ser comemorada, não por mim somente e nem só pelos amigos do movimento ‘UEL, a casa da tolerância’. Trata-se de uma vitória do direito ao contraditório, da pluralidade ideológica e da liberdade de expressão, por mais que tal decisão não trate especificamente deste mérito. Há um perigoso movimento em curso nas Universidades – não só nas brasileiras – que quer consagrar a academia como espaço do pensamento único e a decisão judicial impôs uma derrota circunstancial a este movimento. Agora, na sala de aula, lutarei para me manter na condição de professor de todos os alunos da disciplina, sem distinção ideológica. Acho este caso muito pedagógico, exemplar.
Por que você se viu obrigado a procurar a Justiça comum?
Venho enfrentando problemas de intolerância ideológica na Universidade, de modo mais ostensivo, desde o ano de 2009. No intervalo de dez anos este é o terceiro ‘processo’ que enfrento. No final de 2017 criamos um movimento nomeado ‘UEL, a casa da tolerância’ que visa estimular o debate, a pluralidade de ideias e denunciar casos de intolerância de pensamento. Elaboramos um dossiê, relatando graves casos de censura ideológica, e entregamos este documento ao Reitor da UEL no dia 19 de março deste ano. De lá para cá nenhuma providência foi adotada, sequer uma resposta nos foi dada. Pelo contrário, a situação se agravou ainda mais. Diante da arbitrariedade, da parcialidade e dos vícios procedimentais, que agora alcançaram os altos escalões da administração da UEL, não nos restou opção a não ser acionar a Justiça comum. Temos uma equipe muito atuante e estamos sendo assessorados juridicamente pelo competente trabalho do Dr. Adimas Biguinati. A vitória que alcançamos até aqui é de todos nós e da sociedade londrinense.
Como você vê o futuro da Universidade?
Com muita preocupação. Desde fins dos anos 80, quando concluí minha graduação em História, a carreira acadêmica era meu objetivo. Via a Universidade como espaço de ampla liberdade de pensamento, o ambiente mais oxigenado da sociedade. Ao longo destes 31 anos de profissão, dediquei-me ao estudo da obra daqueles autores que nomeio como os ‘pensadores da liberdade’, em especial, Sade e Nietzsche. A Universidade era para mim uma espécie de lugar de abrigo, de acolhimento. Um útero do pensamento, usinagem da vida. Quero dedicar os últimos anos da minha trajetória acadêmica à luta contra o domínio dos que desejam abortar a vida intelectual na Universidade.


