“Não julgueis que vim trazer a paz à terra. Vim trazer não a paz, mas a espada.”

(S. Mateus 10, 34)

Imagem ilustrativa da imagem Em paz com a guerra
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Meu filho está preocupado; chegou até a chorar ontem com a possibilidade de eclosão de uma Terceira Guerra Mundial. Eu o abracei e disse a ele para ficar tranquilo. Ao longo da vida, já vi muitas guerras. Lembro-me das Malvinas, em 1982; da invasão do Afeganistão pela URSS; das duas guerras do Iraque (Bush pai e Bush filho); da crudelíssima Irã-Iraque (em que os dois países saíram perdedores); dos massacres nos Bálcãs e em Ruanda; de inúmeras tensões entre israelenses e palestinos; da Síria em guerra civil; e, talvez o episódio mais impressionante, a queda das Torres Gêmeas em 11 de setembro de 2001. Todo mundo lembra onde estava nesse dia; eu estava em minha primeira consulta ao cardiologista. Bastante apropriado, não? Eu estou como Luís de Camões: “em paz com minha guerra”.

A Revolução Iraniana de 1978 impressionou-me bastante — e de maneira negativa. A crise dos reféns na Embaixada Americana, que custou a reeleição a Jimmy Carter, foi encerrada após intermináveis 444 dias, em 1981. Muito provavelmente o regime dos aiatolás pensava em repetir a dose na Embaixada dos EUA no Iraque. A invasão ocorrida dias atrás foi uma espécie de teste para ver até onde ia a capacidade de reação de Donald Trump. Talvez os iranianos sonhassem em repetir o feito de 40 anos atrás. Mas, pelo que se tem visto, Trump está mais para Ronald Reagan do que para Jimmy Carter.

Não há como tergiversar sobre a ditadura teocrática iraniana. Tenho esperança de que esse pesadelo venha a acabar algum dia, e que a liberdade finalmente chegue ao berço da cultura persa. A posição dos esquerdistas brasileiros — de apoio à ditadura! — é uma das coisas mais repugnantes que tenho visto nos últimos tempos. O ódio da esquerda a Trump e a qualquer liderança conservadora — incluindo o nosso presidente Bolsonaro — é maior do que qualquer consideração lógica, ética ou humanitária. É preciso estar muito distante da virtude da compaixão para apoiar um regime que enforca homossexuais, oprime as mulheres e não hesita em matar o seu próprio povo.

Com sucessivos atos de desrespeito ao acordo nuclear firmado em 2015, o regime iraniano cavou sua própria sepultura. Bilhões de dólares deixaram de entrar na economia do país, levando o país a uma crise sem precedentes. Quando, há poucos dias, o povo iraniano saiu às ruas para protestar contra o regime, a repressão foi impiedosa: calcula-se que pelos menos 1.500 cidadãos comuns morreram durante os protestos.

E quem liderou a repressão aos iranianos? Ninguém senão ele, Qassim Soleimani, o General Morte, morto durante bombardeio americano ao Aeroporto de Bagdá. O signo da morte parece acompanhar Soleimani mesmo depois de sua execução. Mais de 50 iranianos morreram em tumulto durante os funerais do General Morte. Como se não bastasse, um avião ucraniano caiu após decolar do Aeroporto Aiatolá Khomeini, com 150 pessoas a bordo — e não houve sobreviventes. E um terremoto de 4,9 graus na escala Richter atingiu o Sul do país, a 70 km de uma planta nuclear iraniana.

Eu sonho com o dia em que o povo iraniano retome as rédeas sobre o destino de seu país. Impossível? A Deus, nada é impossível.

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