Imagem ilustrativa da imagem Elogio ao herói sem nome
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“O homem mais forte é o mais só.”

(Henrik Ibsen)


Em 1989, eu estava no primeiro ano do curso de jornalismo e era uma besta quadrada. Acreditava sinceramente que o socialismo poderia mostrar a sua “face humana” e resolver os problemas do mundo. Por isso, não foi sem perplexidade que acompanhei os acontecimentos que culminaram no massacre da Praça da Paz Celestial em Pequim. Há exatos 30 anos, o governo comunista esmagou o protesto dos estudantes que pediam democracia. Para o governo chinês, foram 300 mortos. Mas o número real de vítimas está entre 2,6 mil e 10 mil. Essa era a verdadeira face do socialismo: desumana, pérfida, monstruosa.

Na manhã de 5 de junho, uma coluna de 25 tanques Type-59, cada um deles com pesando 36 toneladas e equipado com canhão de 100 mm e três metralhadoras, trafegava pela Avenida da Paz Longa, que corta a Cidade Proibida de Pequim. Horas antes, aqueles tanques haviam usados para atropelar e metralhar os manifestantes desarmados.

Foi quando ele surgiu. Era um jovem magro, vestia camisa branca e calças pretas, levava duas sacolas nas mãos. Atravessando a avenida em diagonal, o desconhecido se postou à frente da coluna de tanques. O primeiro tanque da fila parou diante do jovem, que sinalizava com as duas sacolas. Após alguns segundos, o piloto do tanque tentou fazer um desvio pela direita, mas o jovem impediu a manobra, colocando-se outra vez à frente do veículo. Em seguida, para espanto geral, o anônimo subiu no tanque e aproximou-se da escotilha para conversar com o piloto. Quando o homem voltou ao solo, vieram três pessoas: um ciclista e uma dupla em trajes civis, que conduziram o manifestante pelos braços rumo a um destino ignorado.

Ninguém sabe que fim levou o Homem dos Tanques. Ninguém sabe quem eram aquelas pessoas que o levaram embora. Ninguém sabe se o jovem manifestante está vivo ou morto. Mas todos sabem que ele se transformou em um dos maiores símbolos da liberdade nos tempos modernos. Aquele homem solitário diante de uma coluna de monstros de metal entrou para a história como um emblema universal da coragem humana.

Há exatos 70 anos, em 30 de maio de 1949, no mesmo ano da Revolução Chinesa, um santo homem chamado José Kentenich terminou de escreveu uma longa carta onde falava sobre dois males do mundo contemporâneo: o coletivismo e o pensar mecanicista. Pois foi exatamente contra esses dois males que aquele jovem desconhecido se postou no dia 5 de junho de 1989. O Homem dos Tanques demonstra que a personalidade humana individual é uma das mais poderosas forças da história.

O retrato de Mao Tsé-tung, maior assassino de todos os tempos, responsável por pelo menos 70 milhões de mortes, continua lá, imenso, na Praça da Paz Celestial. A China continua a demonstrar que a ditadura comunista pode perfeitamente conviver com a economia de mercado. Mas o exemplo daquele homem me ajudou a deixar a ignorância e o autoengano para trás — e olhar para a realidade, mesmo que ela seja tão assustadora como uma coluna de tanques.

Obrigado, herói sem nome.

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