Toffoli liberou a exibição das piadas de mau gosto sobre Jesus Cristo. Então, tá. Entendi o recado, ministro.

Agora todo mundo pode zoar Marielle Franco. Está liberado, por exemplo, contar uma história policial em que a vereadora do PSOL tem um caso secreto com um sargento bolsonarista da Polícia Militar. Traficantes do Rio descobrem o affair e acabam ordenando a execução de Marielle. O único porteiro envolvido na história será o do condomínio do sargento, testemunha dos encontros amorosos entre a militante e o militar. Mas, na verdade, quem tramou todo o assassinato foi um importante companheiro de partido de Marielle.

Agora todo mundo pode zoar Chico Mendes. Está liberado fazer um filme de ação em que o célebre seringueiro está mancomunado com multinacionais, utilizando seu sindicato como fachada para a compra da Amazônia por bilionários europeus, e auxiliado em seus intentos por uma jovem e macérrima militante comunista chamada Marina Silva, que em várias cenas interrompe os acontecimentos gritando seu estranho bordão:

“Deemocraticameeeente! Deemocraticameeeente!”

Agora todo mundo pode zoar Che Guevara. Aliás, nem precisa zoar, basta dizer a verdade. Está liberado escrever um romance sem inventar nenhum fato sobre o famoso revolucionário cubano-argentino. No livro, pode-se mencionar, por exemplo, os 500 fuzilamentos sumários que ele ordenou na famigerada prisão de La Cabaña. Outrossim, não haverá problema algum em dizer que o seu suposto amigo Fidel Castro ficou felicíssimo com a execução de Guevara na Bolívia, em 1968.

Agora todo mundo pode zoar Carlos Marighella. Não haverá impedimento nenhum em publicar uma série de narrativas sobre a vida sexual do terrorista brasileiro, falando sobre a sua preferência por guerrilheiros másculos e pouco letrados. As histórias poderão incluir, é claro, alguns fatos autênticos sobre Marighella, como os trechos de seu livro “Manual do Guerrilheiro Urbano” em que ele defende o assassinato de todos aqueles que se opuserem à gloriosa Revolução Socialista.

Agora todo mundo pode zoar Zumbi dos Palmares. Que tal uma comédia pastelão em que o rei do quilombo, em meio a seu séquito de escravos, diz à corte reunida: “Um dia, meus irmão, vossumcê fique sabendo: esse negócio aqui vai servir pra criar um belo de um feriado nacional!”?

E é claro: agora todo mundo pode zoar o STF, com um filme de terror que inclua o Advogado do PT, o golpista Lewando Vantagem, o Sapão, o Abortoso, o Vampiro Brasileiro e Pato Donald togado, entre outros seres abomináveis.

Alguém pode me perguntar: “Briguet, por que você citou esses personagens e não outros?” Ora, o motivo é muito simples: zoar Bolsonaro, Trump e Olavo de Carvalho já está liberado faz tempo!

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