Crianças vítimas da ditadura
Relatos de situações extremas de violência e miséria enfrentadas por meninos e meninas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 04 de abril de 2019
Relatos de situações extremas de violência e miséria enfrentadas por meninos e meninas
Paulo Briguet 

Tenho lido vários relatos sobre crianças vítimas de ditaduras. Para vocês sete, selecionei exemplos de como as crianças são tratadas na pior das ditaduras — a comunista:
“Durante a década de 20, crianças órfãs e abandonadas — biesprizôrnie — vagavam pela Rússia, como criaturas pré-históricas. Contemporâneos estimaram entre sete e nove milhões, três quartos filhos de trabalhadores e camponeses, o número de crianças com menos de 13 anos vivendo em bandos e sobrevivendo da mendicância, do roubo e da prostituição. ‘Andando em grupos, pouco falantes, com aparência inumana, rostos crispados, cabelos emaranhados e olhos vazios’, lembrava Malcolm Muggeridge. ‘Eu as vi em Moscou e Leningrado, amontoadas debaixo das pontes, escondidas em estações ferroviárias, surgindo de repente como um bando de macacos selvagens, e se dispersando e desaparecendo, logo a seguir’. Algumas foram alojadas em colônias estatais, mas lá chegavam fisicamente doentes e socialmente inassimiláveis. Stálin tiraria de suas fileiras muitos seguidores leais, jovens sem família ou raízes comunitárias, que só contavam com a sua proteção.”
(Richard Pipes, História Concisa da Revolução Russa)
“Ailong, um menino de 13 anos, na província de Guangdong, foi pego cavando raízes para comer. A surra que recebeu foi tão feroz que o garoto ficou aleijado pelo resto da vida. Em Luoding, o oficial local Qu Bendi espancou até a morte uma criança de 8 anos que roubara um punhado de arroz. Em Hunan, Tanq Yunqing, de 12 anos, foi afogado em um lago por ter furtado comida da cantina. Às vezes, os pais eram forçados a infligir a punição. Quando um menino furtou um punhado de grãos na mesma aldeia de Hunan, o chefe local forçou o pai do menino a enterrá-lo vivo. O pai morreu de pesar poucos dias depois.”
(Frank Dikötter, A Grande Fome de Mao)
“No dia 13 de julho de 1994, o comandante de um rebocador retirou a embarcação que estava atracada junto aos molhes do porto de Havana, levando consigo 30 mulheres, 23 crianças e 19 homens com a intenção de alcançar a costa da Flórida. Ao que tudo indica, a operação estava sendo monitorada pelas autoridades, pois tão logo a embarcação se afastou umas poucas milhas da costa, outros três rebocadores saíram em seu encalço, varreram-na com jatos de água, obrigando as crianças a descerem para a parte interna e, em seguida, forçaram o barco a soçobrar. Resultado: 41 mortos, entre os quais 20 crianças.”
(Percival Puggina, A Tragédia da Utopia)
“Meninos e meninas, alguns no umbral da adolescência, esperam os ônibus de turismo para assediar seus ocupantes. (...) Ninguém diz coisa alguma porque ninguém se importa. A ninguém dói que sessenta anos depois do triunfo da ‘revolução mais humanista e justa’ uma menina negra se abrace a esse tipo branco que traz cédulas de dinheiro. A ninguém preocupa que essa menina faça o mesmo à noite e que qualquer pervertido possa aproveitar-se dela.”
(Percival Puggina, A Tragédia da Utopia)
Muitas crianças brasileiras também sofrem. Mas, se queremos ajudá-las, não devemos procurar a solução em modelos falidos de sociedade.


