Conversa com o camarada Lênin
Os herdeiros de Lênin continuam desejando destruir o país e o povo em favor de um grupo minoritário
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de abril de 2019
Os herdeiros de Lênin continuam desejando destruir o país e o povo em favor de um grupo minoritário
Paulo Briguet 

“Gog”, o livro mais famoso do escritor italiano Giovanni Papini (1881-1956), reúne contos sobre um milionário americano que viaja pelo mundo visitando personalidades e realizando os mais excêntricos desejos. Entre os personagens famosos visitados pelo Sr. Gog, estão Henry Ford, Sigmund Freud, Thomas Alva Edison, Mahatma Gandhi, Bernard Shaw, Knut Hamsun e H. G. Wells. Um dos melhores contos do livro, em minha opinião, narra o encontro de Gog com Vladimir Lênin, o líder da Revolução Russa. Embora seja um relato ficcional, a passagem vem ao encontro do que historiadores como Paul Johnson, Richard Pipes e Robert Service revelariam sobre a personalidade de Lênin. Seleciono aqui algumas frases que o líder comunista diz a Gog, com a franqueza dos que se aproximam da morte:
“Os bolcheviques nada mais fizeram do que adotar, desenvolvendo-o, o regime instaurado pelos czares e que é o único adequado ao povo russo. Não é possível governar milhões de brutos sem pauladas, espiões, polícia secreta, forcas, tribunais militares, galé e torturas.”
“Os homens, Sr. Gog, são selvagens medrosos que devem ser dominados por um selvagem sem escrúpulos — como eu. O resto é conversa, literatura, filosofia e música para uso dos trouxas. E como os selvagens são semelhantes aos delinquentes, o último ideal de todo governo deve ser o de tornar o país parecido com um estabelecimento penal.”
“Meu sonho é transformar a Rússia numa imensa prisão e não creia que digo isso por egoísmo, pois nesse sistema os mais escravizados e sacrificados são justamente os chefes e os carcereiros.”
“O indivíduo é coisa a eliminar. É uma invenção daqueles preguiçosos gregos ou daqueles imaginosos germânicos. Quem resistir será extirpado como uma pústula maligna. O sangue é o melhor adubo oferecido pela natureza.”
“Não me creia cruel. Todos esses fuzilamentos e enforcamentos executados por minha ordem me cansam. Odeio as vítimas sobretudo porque me obrigam a matá-las. Mas não posso evitá-lo. Iludo-me de ser o diretor geral de uma penitenciária modelo, um estabelecimento penal pacífico e bem organizado. Mas há, como em todas as cadeias, os indóceis e os inquietos, os que têm a estúpida nostalgia das velhas ideologias e mitologias homicidas. Todos esses devem ser suprimidos.”
“Nós mudamos somente a classe que dominava o sistema. Antes eram 60 mil nobres e talvez 40 mil grandes burocratas. Hoje são 2 milhões de proletários e comunistas. É um progresso, um grande progresso, porque os privilegiados são mais numerosos, mas 98% da população não ganhou nada com a troca. Isso é justamente o necessário, o que eu desejo, e, de resto, o absolutamente inevitável.”
No mundo de hoje, o plano de Lênin — sacrificar um povo inteiro em nome de uma casta militante — continua vivo em muitos lugares do mundo (veja-se o caso da Venezuela). Aqueles que desejam impedir de qualquer maneira as mudanças vitais para a sociedade brasileira (como a reforma de previdência) desejam o mesmo que Lênin desejava: a destruição do país para o triunfo de um grupo minoritário. Permitiremos?


