Imagem ilustrativa da imagem Como me tornei conservadora (2)
| Foto: Acervo pessoal

A Avenida Paraná publica hoje a segunda parte do depoimento de Aline Loretto, graduada e mestre em História pela UEL, em que ela narra sua experiência pessoal de abandono das ideias marxistas e adesão ao conservadorismo:

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“A certa altura do meu curso de História na UEL, trabalhei em um projeto de pesquisa que analisou o “discurso desenvolvimentista” no Brasil dos anos 50. Minha orientadora indicou como referencial teórico o livro “Aparelhos Ideológicos do Estado”, do filósofo marxista francês de origem argelina Louis Althusser – aquele que, em um surto psicótico, matou a esposa.

Após os dois primeiros anos da graduação, tornei-me o que o filósofo Luiz Felipe Pondé definiu como “inteligentinha”. Conversava com meus professores, citava historiadores marxistas, obtinha ótimas notas, posicionava-me ao lado dos mais pobres, dedicava-me às causas que anseiam tornar o mundo melhor, preocupava-me com as crianças da África, amava a Humanidade (mas não queria filhos).

O primeiro foi ter me matriculado em 2003 no curso de Teoria da História, oferecido pelo professor Gabriel Giannattasio. Nele, foi apresentado o conceito de história na obra “As vantagens e desvantagens da história para a vida”, do filósofo alemão Friedrich Nietzsche. Quando entrou em sala, talvez Gabriel não tivesse ideia de quantos “inteligentinhos de esquerda” ali se encontravam – e do choque que a leitura daquela obra de Nietzsche nos causaria.

Nela, o filósofo alemão faz um duro ataque à cultura histórica do século XIX, em especial o que chama de “história crítica”: o materialismo dialético. Os ataques de Nietzsche têm como foco duas premissas: a filosofia da história faz com que o materialismo dialético busque no passado um sentido que conduza ao presente e que levaria necessariamente à apoteose da redenção socialista, e a lembrança como uma forma de nutrir o ódio, o ressentimento e a vingança.

Mesmo depois das aulas do professor Gabriel Giannattasio, no entanto, ainda foi necessário “rolar algumas pedras” para realmente romper com o marxismo.

Na graduação, haviam me ensinado a velha máxima de Sartre: o inferno são os outros – o capitalista, o homem branco, a classe média, o heterossexual. Depois de me formar, fui aprovada em concurso público e voltei a morar com meus pais, no interior de São Paulo. Cresci no seio de uma família conservadora que me educou para olhar o outro com compaixão, algo quase perdido após anos de doutrinação marxista. O exemplo familiar passou a soar cada vez mais forte.

O último fato que me levou ao rompimento definitivo com o materialismo dialético foi o escândalo do mensalão. A denúncia de que o PT comprava de votos de parlamentares. Quem não se lembra de Silvinho Land Rover, Delúbio Soares e seu português mal falado, o assessor com dólares na cueca e Sibá Machado na tribuna do Senado?

Após o mensalão, talvez como sinal da chegada da maturidade, passei a adotar cada vez mais uma postura conservadora diante da vida. Como propõe Scruton, as coisas que amamos são facilmente destruídas, mas não facilmente criadas. Talvez as respostas do materialismo dialético para a desigualdade, a liberdade, a vida familiar, sejam mais excitantes, mas garanto: depois de anos defendendo o materialismo dialético, a resposta conservadora é muito mais verdadeira.”

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