Imagem ilustrativa da imagem Carta a um antifascista
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Caro motoqueiro,

Ontem à noite fui comprar Coca-Cola no posto da esquina, quando você passou velozmente e gritou:

— Fascista!

Como eu estava rezando o terço, não pude dar a minha resposta padrão a esse xingamento. Não ficaria bem, diante de Deus e de Nossa Senhora, pronunciar um palavrão naquele momento, muito menos um palavrão que envolvesse a pessoa de sua progenitora.

Depois de terminar o mistério do terço — era o da apresentação do Menino Jesus no templo —, fiquei pensando nos motivos que levam alguém a ofender um pai de família na rua. E encontrei apenas um: o ódio.

“Fascista”, para você, significa “aquele que deve ser odiado”. Não se cria um ódio desse tipo do dia para a noite. Você deve dormir com ele, acordar com ele, sonhar com ele, bebê-lo, comê-lo, respirá-lo. É um ódio que, em circunstâncias favoráveis, transformaria você em máquina de matar. Mas, enquanto isso não é possível, você se contenta em xingar, cuspir, atormentar. Sabe aquela torcedora que agrediu a mãe na frente do filho? É o seu modelo de conduta.

“Fascista”, para você, é todo aquele que lhe deve alguma coisa. É o responsável pelo seu fracasso, pelos seus problemas, pela sua solidão. É aquele que ousou construir onde você só destrói, que ousou vencer onde você só perde, que ousou dizer a verdade lá onde reina a sua adorada mentira.

“Fascista”, para você, é aquele que acredita em Deus. Aquele que acorda cedo para trabalhar, que quer bandido na cadeia, que quer ver o país melhorar. É aquele que não louva ladrões, nem assassinos, nem esfaqueadores, nem hackers. É aquele que defende a vida das crianças, o respeito às mulheres e homens, a harmonia entre os pobres e ricos.

“Fascista”, para você, é a maioria da população de sua cidade, que não votou no seu candidato. O “fascista” não fuma maconha, não apoia o aborto, repudia a ideologia de gênero. O “fascista” acredita em economia de mercado, acredita em caridade, acredita na moral cristã. O “fascista” quer proteger a família dos seus inimigos. O “fascista” sabe que todos os nomes dos países em que o socialismo deu certo estão escritos na testa de Lênin.

E, por falar em Lênin, ele também odiaria o “fascista”, se vivesse hoje em dia. Mas, na sua época, Lênin admirava o verdadeiro fascista: Mussolini, a quem chegou a enviar um telegrama de parabéns. A máxima de Mussolini — “Tudo pelo Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado” — poderia ser tranquilamente assinada pelos grandes comunistas de todos os tempos. A propósito, foi Stálin, o sucessor de Lênin, quem propagou pelo mundo a ideia de que “fascista” é todo aquele que rejeita o socialismo.

Você passou tão rápido, motoqueiro. Nem deu tempo de olhar na minha cara à procura de uma resposta.


Mas, se por acaso vier a ler estas linhas, saiba que vou rezar por você.

Estimo, do fundo do coração, as suas melhoras.

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