As portas da esperança
No Natal, abrem-se as portas que conduzem ao coração do próximo: portas de caridade, reconciliação, arrependimento e perdão
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 20 de dezembro de 2019
No Natal, abrem-se as portas que conduzem ao coração do próximo: portas de caridade, reconciliação, arrependimento e perdão
Paulo Briguet 
“Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim será salvo.” (São João 10, 9)

Estamos às portas do Natal. Neste período do ano, que nós católicos denominamos Advento, muitas portas se abrem: portas de amor ao próximo, de reconciliação, de arrependimento, de perdão. Com a sutileza habitual, Sto. Tomás de Aquino observa que todas essas portas convergem numa só: o próprio Cristo. “Reparemos bem que não há outro que seja a porta, porque mais ninguém é a luz, a não ser por participação. João Batista não era a luz, antes tinha vindo para dar testemunho da luz (Jo 1,8). Mas Cristo «era a luz que ilumina todo o homem» (v. 9). Ninguém pode, por conseguinte, dizer de si mesmo que é a porta, porque Cristo reservou para Si esse título”.
E, no entanto, Deus foi generoso conosco a ponto de nos permitir participar dessa condição do Salvador. Sim, nós podemos abrir as portas que conduzem ao coração do próximo. No último domingo, os participantes do movimento Brasil Católico, criado em Londrina neste ano, decidiram fazer essa abertura e consubstanciá-la em um gesto concreto. Na manhã do Dia do Senhor, eles ofereceram um almoço de Natal a 500 famílias do Jardim Nova Esperança, uma das comunidades mais carentes de Londrina. A foto da moradora levando o almoço para casa — um delicioso macarrão com molho e frango, um refrigerante e um panetone — mostra o sentido do Advento em todos nós.
No entanto, nem todas as portas se abrem ao Natal. Assim como Maria e José não encontraram lugar nas hospedarias de Belém, o espírito de Natal é negado por alguns. O mesmo grupo Brasil Católico, que realizou o gesto fraterno no último domingo, divulgou uma nota de repúdio a um programa que, infelizmente, nega a própria essência da Noite Feliz. Leiamos com atenção:
“SOBRE O GRUPO PORTA DOS FUNDOS
Um grupo de ditos comediantes que atende pelo nome de Porta dos Fundos recentemente concebeu algo intitulado ‘A Primeira Tentação de Cristo’, disponível no Netflix. O que deveria ser um filme é uma sequência tosca de cenas que buscam despertar as atenções a qualquer preço por meio da ofensa direta a Nosso Senhor Jesus Cristo e a Nossa Senhora.
Em nome da liberdade de expressão, o grupo se julga no direito de blasfemar contra o que nós, católicos, temos de mais sagrado. Para isso eles docilmente prostram-se a serviço de Satanás, tentando destruir o indestrutível. Na sofreguidão de parecerem modernos e distantes dos ignorantes da Idade Média, eles não percebem que mal saíram da Idade da Pedra e comportam-se ainda como animais que veem na satisfação sexual um dos poucos objetivos de sua existência.
Desconsoladas almas vazias que enquanto buscam incessantemente por aplausos e reconhecimento da sociedade, ouvem tão somente um monotônico clap clap de seus pares, adornados com carinhas e sorrisinhos frouxos. Triste melancolia de ser aceito apenas em seu parco grupo de hienas pululantes que se elogiam e se enganam em uma retroalimentação sem fim. Pobres coitados dos que querem fazer rir e não inspiram nada além de piedade.
Mas se esses adolescentes envelhecidos são tão desprezíveis para nós, por que estamos aqui escrevendo sobre eles? Porque, assim como Jesus Cristo, queremos rogar a Deus: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’. (Lucas 23, 34)”


