Meu pai sempre dizia que há uma diferença fundamental entre o cidadão comum e o criminoso. Quando acusado de algum crime, o cidadão comum afirma, com indignação:

— Eu sou inocente!

O bandido, por sua vez, alega:

— Não há provas contra mim.

Imagem ilustrativa da imagem A segunda facada em Bolsonaro
| Foto: iStock

Na mesma semana em que Lula foi acusado de ser o mandante do assassinato de Celso Daniel, e exatamente um ano depois da eleição de Jair Bolsonaro, a maior emissora do país, “de cuyo nombre no quiero acordarme”, vinculou o nome do presidente da República ao assassinato da vereadora Marielle Franco. Segundo o depoimento de um porteiro do condomínio onde mora Jair Bolsonaro, um suspeito de matar Marielle teria pedido para ir à casa do então deputado federal. Ocorre que, conforme atestam os registros da Câmara, Bolsonaro estava em Brasília naquele dia.

Ao ter o seu nome envolvido no caso Marielle, Bolsonaro reagiu com a indignação que se espera de um inocente. Imediatamente prontificou-se a abrir mão do seu foro privilegiado e dar seu testemunho na investigação.

Na mesma hora, eu me lembrei de outro porteiro: o do Edifício Solaris. Vocês se lembram de como esse trabalhador negro e pobre foi atacado pela esquerda e a extrema-imprensa? Lembram-se do que os advogados de Lula tentaram fazer com ele? Agora, um porteiro volta a ser personagem das manchetes. E qual é a atitude do presidente da República? Diz que gostaria de conversar com ele.

A tentativa de envolver o presidente na morte de uma vereadora que ele nem sequer conhecia está evidentemente interligada a outros fatos que ocorrem em nosso continente. No Chile, o país mais próspero e justo da América Latina, esquerdistas tocam o terror nas ruas. Em Honduras, no Equador e no Peru, distúrbios e revoltas. Na Bolívia, denúncia de fraude eleitoral. Na Argentina, o presidente eleito grita “Lula livre” em seu primeiro discurso. No litoral brasileiro, uma imensa mancha de petróleo venezuelano cobre as praias.

Ao mesmo tempo, a economia brasileira dá claros sinais de recuperação; o risco-país, os juros e a inflação descem aos menores níveis em muitos anos; a reforma da previdência é aprovada; a taxa de homicídios cai 22%; obras de infraestrutura são realizadas em todo o território nacional; aumentam os investimentos estrangeiros; 750 mil vagas de emprego são criadas em 10 meses.

O sistema já decidiu que é preciso dar uma segunda facada em Jair Bolsonaro — e desta vez, definitiva. Para tanto decidiram criar a narrativa de que Bolsonaro e Lula são equivalentes morais, ambos envolvidos com a morte de alguém. A diferença entre os dois, no entanto, é a seguinte: Lula matou o país; Bolsonaro tenta fazê-lo reviver. Qual deles é o criminoso?

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