Imagem ilustrativa da imagem A conversão do ateu
| Foto: Shutterstock

Era uma ensolarada manhã de sábado em São Paulo. Um menino e sua irmã menor brincavam de bola no gramado da Praça Charles Miller, em frente ao estádio do Pacaembu. Não era dia de jogo, portanto o trânsito estava calmo. Pela rua ao lado da praça, passavam Fuscas, Kombis, Corcéis, Brasílias, de vez em quando um Maverick ou Opala. Tudo em ritmo de fim de semana.

De repente, um anjo passou por ali, sem que as crianças o vissem, e jogou duas carcaças de peixe na grama. Quando o menino viu aqueles peixes, e sentiu o cheiro forte que deles emanava, sugeriu à irmãzinha que brincassem um pouco mais à frente.

Um minuto depois, ouviu-se uma freada na rua. Um carro invadiu a praça e veio capotando pelo gramado. Com as rodas para o ar, parou exatamente no lugar em que as crianças brincavam poucos momentos antes.

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Era uma ensolarada manhã de sábado em Londrina. Um casal de namorados, diante da gravidez inesperada da moça, decidiu cometer o pior crime. Já haviam marcado hora numa nefasta clínica.

Não era um anjo comum. Tinha a forma de um médico que se hospedara por alguns dias na república. Apresentava-se como “Dr. Renato”.

No momento em que os dois jovens saíam de casa, Dr. Renato os chamou para uma conversa, no quarto dos fundos da república.

— Amigos, vocês pensaram no que estão fazendo? Imaginem como seria bom deixar essa criança nascer... Pensem em quantas alegrias ela poderia trazer a vocês dois. Deus vai abençoar esta nova vida!

A jovem começou a chorar. Mas o namorado manteve-se irredutível: “O que esse cara pensa que está fazendo? Quem é ele para decidir sobre a minha vida? E Deus não existe!”

Dr. Renato era um anjo disfarçado.

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Era uma ensolarada tarde de sábado em Mariana. Na cidade histórica mineira, há duas igrejas situadas na mesma praça, como se uma olhasse eternamente para a outra.

Um militante esquerdista, ateu convicto, estava de férias na cidade. Ele acabara de receber uma notícia ruim. Quando desligou o celular, o seu coração se encheu de um ódio descomunal, algo que nunca sentira antes. O objeto do ódio era uma pessoa — um “explorador”, “um “patrão”, um “inimigo de classe”.

Foi quando ele percebeu que uma das igrejas estava destruída por um incêndio. Aproximando-se, olhou para o interior da igreja e viu que tudo era uma só ruína: vigas calcinadas, paredes enegrecidas, destroços por toda parte. O teto ruíra; as imagens desapareceram; um forte odor de fumaça entrava pelas narinas; e só uma cruz permanecia em pé, no altar.

“Esta igreja é minha alma”, pensou ele. E voltou a acreditar em Deus.

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Pois eu sou o menino de São Paulo, o jovem de Londrina e o militante de Mariana.

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