Cenário político pesa e dólar chega a R$ 4
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terça-feira, 21 de agosto de 2018
Agência Estado 
Pesquisas eleitorais puxam alta do câmbio
Em alta há cinco sessões consecutivas, o dólar à vista subiu 2,13% nesta terça-feira (21) e superou a barreira dos R$ 4 pela primeira vez em 30 meses. A escalada foi mais uma vez alimentada por temores em relação ao cenário eleitoral, em meio à divulgação de pesquisas eleitorais desfavoráveis ao candidato tucano à Presidência, Geraldo Alckmin. Ao final dos negócios do mercado à vista, o dólar foi negociado a R$ 4,0414, maior valor de fechamento desde 18 de fevereiro de 2016 (R$ 4,0493).
"Todo esse movimento foi gerado pelas pesquisas eleitorais que têm sido divulgadas desde a última sexta-feira. A percepção é de enfraquecimento de Alckmin, resiliência de Bolsonaro e transferência de votos de Lula para Haddad. Com isso, o mercado passa a precificar um segundo turno entre Bolsonaro e Haddad", disse Fernanda Consorte, estrategista de câmbio da Ourinvest.
Analistas veem componente especulativo
No que diz respeito às pesquisas, os investidores seguiram atentos principalmente ao potencial de transferência de votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad. Um dos detalhamentos da pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo, divulgada no início da noite de terça, indica que, caso Lula seja impedido pela Justiça Eleitoral de concorrer ao Planalto, metade dos eleitores que declaram voto nele diz que votaria ou poderia votar em Haddad. Para Marcos Trabbold, gerente de operações da B&T Corretora, o comportamento do mercado tem sido exagerado diante de um cenário ainda inconclusivo, com pesquisas que ainda não captam o tempo de TV que cada candidato terá. Para ele, houve importante componente especulativo na recente puxada das cotações, com investidores testando o Banco Central.
Influenciado por ambiente interno, Ibovespa cai 1,5%
Com as atenções dos investidores totalmente voltadas para o ambiente político interno, o Ibovespa por pouco não fechou abaixo do patamar dos 75 mil pontos. O principal índice da Bolsa brasileira oscilou cerca de 1.400 pontos, chegou a registrar 74.914,79 pontos na mínima intraday, para encerrar o pregão aos 75 180,40 pontos com perda de 1,50%. O giro financeiro chegou a R$ 11,1 bilhões. A cautela que se viu no mercado acionário local também esteve pautada na divulgação do levantamento do Datafolha, encomendado pelo jornal Folha de S.Paulo e pela Rede Globo, que deve trazer um cenário com o nome de Lula e outro com o de Haddad. A pesquisa deve ser disponibilizada nas primeiras horas desta quarta-feira, 22. No último levantamento do instituto, divulgado em 10 de junho, o candidato Bolsonaro liderava no cenário sem o líder petista, com 19%.
Juros futuros ampliam alta nos contratos longos
Os juros futuros ampliaram a alta e renovaram máximas na última hora de negócios para fechar a sessão regular com avanço entre 30 e 40 pontos-base nos contratos longos. O movimento se deu em linha com a escalada do dólar à vista para além dos R$ 4, tendo as incertezas do quadro eleitoral como pano de fundo. Os números da pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo, reiteraram o quadro de dificuldade para a candidatura de Alckmin, bem visto pelo mercado financeiro, e acentuaram o temor de um segundo turno entre Jair Bolsonaro e um candidato do PT. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou na máxima de 8,52%, de 8,27% no ajuste anterior, e a taxa do DI para janeiro de 2021 subiu de 9,37% para 9,66%. A taxa do DI para janeiro de 2023 encerrou em 11,35%, de 10,99%, e a do DI para janeiro de 2025 avançou de 11,74% para 12,12%.


