Na sexta-feira (28) em Bruxelas, foi assinado o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que vinha sendo costurado desde 1999.

Haverá quem desdenhe ou minimize as vantagens que tal pacto comercial pode trazer para o Brasil, mas o fato é que seu potencial como promotor de desenvolvimento econômico e social é enorme.

Das Vantagens Absolutas...

Já em 1776, o economista escocês Adam Smith, mostrava como países engajados no comercio internacional são capazes de melhorar o bem-estar de seu povo quando comercializam entre si produtos em que cada um é especialista porque nele possui melhores condições para fazê-lo.

... às vantagens comparativas...

David Ricardo, outro economista britânico, foi além e provou que duas nações podem beneficiar-se mutuamente do comércio livre, mesmo que uma nação seja menos eficiente na produção de todos os tipos de bens do que o seu parceiro comercial.

... até as modernas teorias...

Enquanto que Smith e Ricardo basearam suas teorias considerando unicamente os custos de mão de obra, as teorias modernas de comercio internacional, passaram a considerar também os demais fatores de produção (recursos naturais, capital, trabalho)

... apontam benefícios.

Cada uma das teorias, a seu tempo, são inequívocas em apontar como o comércio entre nações é algo absolutamente vantajoso.

Mas somos ruins nisso...

Em dado divulgado pela ONU, que mediu a corrente de comércio internacional (soma das importações e exportações em relação ao PIB), o Brasil ficou na 140ª posição entre os 141 países analisados.

... e os argentinos também.

Se o Brasil ficou em penúltimo lugar, com relação a corrente de comércio com 24,1% de seu PIB, a Argentina ficou com a antepenúltima posição com uma corrente de comércio de 25% de seu PIB.

De nações a blocos econômicos...

Em razão da importância da corrente de comércio transnacional, várias nações perceberam que era interessante se associar na defesa de interesses mútuos com a possibilidade de crescimento em grupo e daí resultaram os blocos econômicos.

.... surge a União Europeia.

Constituído em 1957 inicialmente com 6 países, atualmente é o maior bloco de livre comércio e circulação de pessoas do planeta, contando agora com 27 países.

... e o Mercosul...

O Mercado Comum do Sul, integrado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, foi constituído em 1991 como um bloco econômico em que há livre comércio e política comercial comum entre os países-membros.

... que agora se unem.

Com o propósito de aumentar a liberalização nas economias participantes, diminuir o protecionismo e incrementar o comércio, o acordo assinado na semana passada vai estimular o comércio entre estes dois blocos econômicos.

As vantagens para o Brasil...

O acordo prevê a redução e até a eliminação de taxas para produtos agrícolas brasileiros como suco de laranja, carne, arroz, óleos vegetais e café solúvel, por exemplo, onde temos vantagens imbatíveis.

... e para a União Europeia.

Também prevê o fim das tarifas para produtos que os países europeus são fortes como maquinário, veículos, produtos químicos e farmacêuticos.

Haverá quem vê o copo meio vazio...

Certamente recrudescerá a teoria da degradação das relações de troca porque, enquanto exportamos commodities, importamos bens industrializados, esquecendo-se que as commodities, em especial as agrícolas, são intensivas em tecnologia - e nossa.

... ou meio cheio.

Com um PIB somado de cerca de US$ 20 trilhões, equivalente a 25% da economia mundial e um mercado de 780 milhões de pessoas, participar deste mercado é motivo de comemoração sim.

Dr. Marcos J. G. Rambalducci - Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.

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