Um acordo para comemorar: Mercosul e UE
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segunda-feira, 01 de julho de 2019
Marcos Rambalducci 
Na sexta-feira (28) em Bruxelas, foi assinado o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, que vinha sendo costurado desde 1999.
Haverá quem desdenhe ou minimize as vantagens que tal pacto comercial pode trazer para o Brasil, mas o fato é que seu potencial como promotor de desenvolvimento econômico e social é enorme.
Das Vantagens Absolutas...
Já em 1776, o economista escocês Adam Smith, mostrava como países engajados no comercio internacional são capazes de melhorar o bem-estar de seu povo quando comercializam entre si produtos em que cada um é especialista porque nele possui melhores condições para fazê-lo.
... às vantagens comparativas...
David Ricardo, outro economista britânico, foi além e provou que duas nações podem beneficiar-se mutuamente do comércio livre, mesmo que uma nação seja menos eficiente na produção de todos os tipos de bens do que o seu parceiro comercial.
... até as modernas teorias...
Enquanto que Smith e Ricardo basearam suas teorias considerando unicamente os custos de mão de obra, as teorias modernas de comercio internacional, passaram a considerar também os demais fatores de produção (recursos naturais, capital, trabalho)
... apontam benefícios.
Cada uma das teorias, a seu tempo, são inequívocas em apontar como o comércio entre nações é algo absolutamente vantajoso.
Mas somos ruins nisso...
Em dado divulgado pela ONU, que mediu a corrente de comércio internacional (soma das importações e exportações em relação ao PIB), o Brasil ficou na 140ª posição entre os 141 países analisados.
... e os argentinos também.
Se o Brasil ficou em penúltimo lugar, com relação a corrente de comércio com 24,1% de seu PIB, a Argentina ficou com a antepenúltima posição com uma corrente de comércio de 25% de seu PIB.
De nações a blocos econômicos...
Em razão da importância da corrente de comércio transnacional, várias nações perceberam que era interessante se associar na defesa de interesses mútuos com a possibilidade de crescimento em grupo e daí resultaram os blocos econômicos.
.... surge a União Europeia.
Constituído em 1957 inicialmente com 6 países, atualmente é o maior bloco de livre comércio e circulação de pessoas do planeta, contando agora com 27 países.
... e o Mercosul...
O Mercado Comum do Sul, integrado por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, foi constituído em 1991 como um bloco econômico em que há livre comércio e política comercial comum entre os países-membros.
... que agora se unem.
Com o propósito de aumentar a liberalização nas economias participantes, diminuir o protecionismo e incrementar o comércio, o acordo assinado na semana passada vai estimular o comércio entre estes dois blocos econômicos.
As vantagens para o Brasil...
O acordo prevê a redução e até a eliminação de taxas para produtos agrícolas brasileiros como suco de laranja, carne, arroz, óleos vegetais e café solúvel, por exemplo, onde temos vantagens imbatíveis.
... e para a União Europeia.
Também prevê o fim das tarifas para produtos que os países europeus são fortes como maquinário, veículos, produtos químicos e farmacêuticos.
Haverá quem vê o copo meio vazio...
Certamente recrudescerá a teoria da degradação das relações de troca porque, enquanto exportamos commodities, importamos bens industrializados, esquecendo-se que as commodities, em especial as agrícolas, são intensivas em tecnologia - e nossa.
... ou meio cheio.
Com um PIB somado de cerca de US$ 20 trilhões, equivalente a 25% da economia mundial e um mercado de 780 milhões de pessoas, participar deste mercado é motivo de comemoração sim.
Dr. Marcos J. G. Rambalducci - Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.


