Selic, inflação e rendimento da poupança: muita calma nessa hora
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segunda-feira, 04 de novembro de 2019
Marcos Rambalducci 
O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou na quarta-feira (30) a redução da taxa básica de juros, vulgarmente conhecida como Selic, para 5%, menor índice da série histórica.
Tal definição levou em consideração que a inflação está controlada e tal corte servirá de incentivo ao crédito, tanto para investimento quanto para consumo, aquecendo a economia e gerando novos postos de trabalho.
Outro efeito desta redução é que pode fazer com que o rendimento da caderneta de poupança fique menor que a inflação. Isso cria estresse a estes aplicadores. É interessante analisar a situação.
Comemoramos a redução nos juros ...
A economia agradece quando a taxa de juros cai porque fica mais barato tomar dinheiro emprestado, tanto para utilizá-lo em investimentos no setor produtivo, quanto para o consumidor obter crédito para compras parceladas.
... porque estimula a geração de empregos...
Ora, se há investimentos e pessoas comprando, significa que teremos a abertura de mais postos de trabalho, o que, em um país com 12,5 milhões de desempregados, é mais que justificável.
... ao liberar o dinheiro aplicado em títulos
O grosso desse dinheiro vem das aplicações em títulos públicos, que são remunerados pela taxa Selic. Com a Selic baixa, deixa de ser compensador manter a aplicação em títulos do governo e esse dinheiro passa a irrigar a economia, na forma de aplicação em ações de empresas e oferta de crédito.
E com implicações para a poupança...
Para aplicações feitas na poupança após maio de 2012, o rendimento é calculado tendo como referência a taxa Selic. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança renderá 0,5% ao mês, ou próximo a 6,2% ao ano.
... que pode render abaixo da inflação
Mas se estiver abaixo de 8,5% o rendimento da poupança será 70% da Selic. Considerando a Selic a 5%, isso significa que o rendimento da poupança será de 3,5% ao ano, possivelmente menor que a inflação do período.
Atrelar a poupança à Selic...
Isso desgosta a quem tem dinheiro na caderneta de poupança. O senso comum resolveria esse problema, simplesmente deixando de referenciar o rendimento da caderneta de poupança à taxa Selic. Simples assim.
... é necessário...
Acontece que, o intuito da política do Banco Central é fazer com que o dinheiro que está aplicado em títulos públicos, seja ‘incentivado’ a buscar aplicações mais rentáveis, como investimentos na produção e crédito ao consumidor.
... para a estratégia dar certo...
Se o Banco Central não utilizar de um redutor para a caderneta de poupança e considerando que nela não há a cobrança de imposto de renda, o dinheiro aplicado em títulos públicos vai migrar para a poupança.
... e gerar emprego e renda
E todo o esforço para aumentar a produção, o crédito e consequentemente a geração de empregos, foi por água abaixo.
Minha sugestão
Talvez seja a hora de deixar de apostar na caderneta de poupança e assumir mais riscos migrando sua aplicação para o mercado de capitais. Fica a dica.
MARCOS J. G. RAMBALDUCCI, economista, é professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.


