O Copom (Comitê de Política Monetária) anunciou na quarta-feira (30) a redução da taxa básica de juros, vulgarmente conhecida como Selic, para 5%, menor índice da série histórica.

Tal definição levou em consideração que a inflação está controlada e tal corte servirá de incentivo ao crédito, tanto para investimento quanto para consumo, aquecendo a economia e gerando novos postos de trabalho.

Outro efeito desta redução é que pode fazer com que o rendimento da caderneta de poupança fique menor que a inflação. Isso cria estresse a estes aplicadores. É interessante analisar a situação.

Comemoramos a redução nos juros ...

A economia agradece quando a taxa de juros cai porque fica mais barato tomar dinheiro emprestado, tanto para utilizá-lo em investimentos no setor produtivo, quanto para o consumidor obter crédito para compras parceladas.

... porque estimula a geração de empregos...

Ora, se há investimentos e pessoas comprando, significa que teremos a abertura de mais postos de trabalho, o que, em um país com 12,5 milhões de desempregados, é mais que justificável.

... ao liberar o dinheiro aplicado em títulos

O grosso desse dinheiro vem das aplicações em títulos públicos, que são remunerados pela taxa Selic. Com a Selic baixa, deixa de ser compensador manter a aplicação em títulos do governo e esse dinheiro passa a irrigar a economia, na forma de aplicação em ações de empresas e oferta de crédito.

E com implicações para a poupança...

Para aplicações feitas na poupança após maio de 2012, o rendimento é calculado tendo como referência a taxa Selic. Com a Selic acima de 8,5% ao ano, a poupança renderá 0,5% ao mês, ou próximo a 6,2% ao ano.

... que pode render abaixo da inflação

Mas se estiver abaixo de 8,5% o rendimento da poupança será 70% da Selic. Considerando a Selic a 5%, isso significa que o rendimento da poupança será de 3,5% ao ano, possivelmente menor que a inflação do período.

Atrelar a poupança à Selic...

Isso desgosta a quem tem dinheiro na caderneta de poupança. O senso comum resolveria esse problema, simplesmente deixando de referenciar o rendimento da caderneta de poupança à taxa Selic. Simples assim.

... é necessário...

Acontece que, o intuito da política do Banco Central é fazer com que o dinheiro que está aplicado em títulos públicos, seja ‘incentivado’ a buscar aplicações mais rentáveis, como investimentos na produção e crédito ao consumidor.

... para a estratégia dar certo...

Se o Banco Central não utilizar de um redutor para a caderneta de poupança e considerando que nela não há a cobrança de imposto de renda, o dinheiro aplicado em títulos públicos vai migrar para a poupança.

... e gerar emprego e renda

E todo o esforço para aumentar a produção, o crédito e consequentemente a geração de empregos, foi por água abaixo.

Minha sugestão

Talvez seja a hora de deixar de apostar na caderneta de poupança e assumir mais riscos migrando sua aplicação para o mercado de capitais. Fica a dica.

MARCOS J. G. RAMBALDUCCI, economista, é professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.

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