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Reservas internacionais poderão auxiliar o caixa do governo


Com a debandada da Bolsa de Valores e consequente alta do dólar, em função da instabilidade provocada pela pandemia do COVID-19, há espaço para a retomada da venda de dólares de nossas reservas internacionais que poderão ajudar e muito, para controlar o déficit fiscal.

O que são...

As reservas internacionais são os recursos que o país tem em moeda estrangeira. No caso do Brasil, elas estão, na sua maioria, em dólares.

... para que servem...

Em momentos de crise, como o que estamos vivendo, ocorrem queda nas exportações e fuga de capitais e são estas reservas que ajudam o país a honrar suas obrigações.



... e como é formada.

O atual volume de reservas começou a ser acumulado em 2004 diante do aumento das exportações brasileiras e o Banco Central adotou a política de comprar dólares tanto para formar sua poupança quanto para conter a alta do Real.

Mas tem custos...

O governo compra dólares utilizando títulos públicos, ou seja, aumenta sua dívida em Reais, e esta dívida paga juros.

... chamados custos de carregamento.

A maior parte das reservas são aplicadas em títulos públicos americanos. A diferença entre o quanto o BC paga de juros e o quanto recebe das aplicações em títulos americanos é o custo de manter suas reservas.

Quanto devemos ter.

O estoque ótimo de reservas para o Brasil, segundo parâmetros do FMI (Fundo Monetário Internacional), seria algo próximo a US$ 270 bi. Na quinta-feira (19) elas estavam em R$ 349 bi.


Então temos folga...

Então o BC poderia vender algo como US$ 60 bi, que resultaria em R$ 300 bi, o dobro do que foi anunciado por Paulo Guedes em medidas emergenciais contra Corona vírus.


... que pode ser de grande alento.

Além de aliviar o déficit fiscal do governo federal, aumentar a possibilidade de socorro para este

momento de crise, ainda teríamos uma redução no custo de carregamento das reservas.


Então tudo são flores?

Não. Há várias implicações que precisam ser consideradas, mas deixo isso para a próxima coluna.




Marcos J. G. Rambalducci - Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.

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