Com o encaminhamento da Reforma da Previdência, necessária, mas insuficiente para reativar a economia, agora é preciso lançar mão de medidas que estimulem a demanda e o investimento.

Uma delas é a liberação do FGTS, boa, mas com alcance limitado e que precisa ser manejada com muito critério pois, se de um lado coloca dinheiro na mão das pessoas, de outro, retira recursos indispensáveis ao setor da construção civil, grande gerador de empregos.

Uma outra medida que merece atenção é a redução dos depósitos compulsórios junto ao Banco Central, com potencial de aumentar o volume de crédito na economia ao mesmo tempo que reduz os juros ao tomador. Inicio a conversa pelo acesso ao crédito como impulsionador econômico.

Acesso a crédito ...

O volume de crédito disponível tende a impulsionar o crescimento do país por duas variáveis que compõem o PIB (Produto Interno Bruto), o consumo e os investimentos que, juntamente com os gastos do governo e o saldo comercial, representam o lado da demanda do PIB.

... com intermediação bancária.

São os bancos que têm o papel de conectar os que tem dinheiro com os que precisam de dinheiro. O negócio do banco consiste, basicamente, em pagar uma taxa menor a quem deposita dinheiro e cobrar uma maior para quem precisa de empréstimo.

Mas há limites...

Nem todo dinheiro depositado no banco pode ser utilizado para emprestar. O Banco Central obriga a retenção de uma parcela do dinheiro dos correntistas, denominado depósito compulsório.

... por segurança ...

O depósito compulsório serve como uma margem de segurança para o caso de haver algum pânico no mercado que leve as pessoas a quererem sacar seu dinheiro.

... e como política monetária.

O Banco Central também utiliza esta medida para controlar a quantidade de dinheiro disponível no mercado. Da mesma forma que o BC aumenta a taxa de juros para controlar a inflação, assim também pode retirar dinheiro de circulação aumentando a retenção compulsória.

Retenções diferentes.

Dos depósitos em conta corrente, 25% não podem ser emprestados. Das aplicações financeiras como o CDB, são 31% e dos depósitos em caderneta de poupança ficam retidos 20%.

Liberando o compulsório...

Uma medida de redução destes percentuais deixará mais dinheiro disponível para que os bancos realizem empréstimos, lembrando que a crise que se estabeleceu na economia levou a uma redução significativa no volume de crédito disponível.

... deverá cair os juros...

Mais oferta de crédito aumenta a concorrência entre os bancos o que tende a baixar as taxas de juros para os tomadores, cujas perdas poderão ser compensadas pelo aumento dos empréstimos concedidos.

... e estimular a demanda.

Um aumento no volume de empréstimos é um incentivo para a atividade econômica, pois estimula o consumo final e, como consequência, leva o empresário a investir, tanto em função do aumento das vendas quanto pela possibilidade de tomar dinheiro a juros menores.

Mas há um problema...

Não há obrigação dos bancos utilizarem estes recursos para aumentar o crédito. Eles podem simplesmente não o fazerem ou ainda optarem por aplicar esses recursos em títulos públicos, de risco zero.

... a ser equacionado.

Então, a redução do depósito compulsório precisa vir acompanhada da redução da taxa Selic (que remunera os títulos públicos), estimulando a liberação deste dinheiro para empréstimos produtivos.

mockup