O efeito Bettina
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de abril de 2019
Marcos Rambalducci 
Propaganda de uma consultoria financeira, invadiu a internet com a declaração de uma moça dizendo ter ganho uma fortuna investindo na bolsa: “Oi. Meu nome é Bettina, eu tenho 22 anos e 1 milhão e 42 mil reais de patrimônio acumulado, [...] comecei com 19 anos e R$ 1.520,00”.
Ela teria conseguido algo que nem os maiores especialistas de bolsa de valores conseguiriam nesse espaço de tempo. Mas abre uma oportunidade para explorarmos um pouco sobre investimentos.
Investimento ...
Investimento é qualquer aplicação de recursos que produza um retorno futuro e tanto pode envolver dinheiro, ou não. Um investimento financeiro é a aplicação em dinheiro que, se pretende, gere mais dinheiro, decorrido um certo tempo.
... e poupança
Investimos a parcela da renda ou do patrimônio que não foi consumida no período em que recebemos. A isso chamamos poupança e que não se confunde com caderneta de poupança, que é somente o nome de uma aplicação financeira.
Duas formas ...
Aqueles que tem poupança e pretendem fazer com que esse dinheiro rentabilize, podem fazê-lo de duas maneiras: a) emprestando seu dinheiro ou, b) comprando frações de empresas.
... emprestando dinheiro a juros...
Você pode emprestar seu dinheiro para agentes públicos, como o governo (comprando títulos do tesouro direto) ou privados, como os bancos (comprando Certificados de Depósito Bancário - CDB; Letras de Crédito Imobiliário - LCI; ou Letras de Crédito Agrícola – LCA).
... tendo por referência a SELIC...
Se você empresta dinheiro, seu lucro tem origem na taxa de juros acordado, portanto são investimentos de renda fixa, ou seja, você sabe quanto irá ganhar e essa taxa tem como referência a taxa básica de juros da economia – SELIC.
... ou comprando empresas...
Outra forma de investir é comprando ações, que nada mais são que frações de uma empresa. Em vez de montar uma sorveteria e ser dono de 100% dela, você compra uma parte de uma grande empresa e fica dono de 0,05% dela, por exemplo.
... e assumindo riscos.
Se tudo correr bem, você, como acionista, receberá parte dos lucros, mas não dá para saber quanto irá ganhar, e nem mesmo se irá ganhar. Por isso é uma aplicação de renda variável.
... decidindo sua carteira...
Sua decisão de investimentos deverá contemplar uma parcela de aplicações em renda fixa e outra em renda variável que vai depender de fatores pessoais e econômicos.
... considerando pretensões e idade...
Os pessoais estão ligados aos objetivos da aplicação (se quer ter a chance de ganhar muito ou se quer garantir uma rentabilidade segura), e sua idade (jovens podem arriscar pois tem tempo para recuperar o investimento perdido)
... e fatores econômicos.
Se a reforma da previdência for aprovada sem muitas perdas para o governo, a taxa básica de juros tenderá a cair prejudicando os ganhos de renda fixa. Em compensação a economia se recupera e as empresas rentabilizarão muito mais.
Eita, que sorte tem essa Bettina, hein?
Sabendo agora de onde vem a rentabilidade de suas aplicações, imagina quão ‘iluminada’ é uma pessoa que consegue rentabilizar 770% ao ano. É uma abençoada!!
Marcos J. G. Rambalducci - Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.


