A geração de empregos no Brasil de 2019 deixa pouco a comemorar
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segunda-feira, 11 de novembro de 2019
Marcos J. G. Rambalducci 
Conforme o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o trimestre encerrado em setembro fechou com a taxa de desemprego em 11,6%, a mesma que nos trimestres encerrados em julho e agosto. Em outras palavras, a taxa de desemprego se manteve estável nos últimos 3 meses.
No entanto, nestes mesmos 3 meses a economia brasileira criou 459 mil novos postos de trabalho. Então a pergunta: porque aumentou o emprego, mas não caiu a taxa de desemprego?
Para calcular a taxa de desemprego ...
A Taxa de desemprego é calculada dividindo-se a População Desocupada (PD) pela População Economicamente Ativa (PEA), multiplicado por 100.
... é necessário conhecer a PEA.
Para calcular a PEA basta somar as pessoas que estão trabalhando com aquelas que gostariam de trabalhar, mas não conseguem emprego.
Mais empregos, mas sem queda na taxa...
A economia gerou no trimestre jul/ago/set 322 mil empregos formais e 137 mil informais totalizando 459 mil novos postos de trabalho, mas a taxa de desemprego permaneceu estável em 11,8%.
... em função de mais entrantes...
Isso porque aumentou a quantidade de pessoas dispostas a trabalhar, mas que não conseguem emprego, na mesma proporção que os novos empregos gerados.
..., mas não só estreantes.
Este contingente de novos desempregados é composto daqueles que ingressaram agora no mercado de trabalho somado àqueles que tinham desistido de buscar emprego e voltaram a procurar.
Daí algumas deduções:
1) se a taxa de desemprego se manteve estável e ela é resultado da divisão entre desempregados e a PEA, significa que o número absoluto de desempregados aumentou em 60.000 pessoas no trimestre em questão.
2) se foram criados 459 mil novos postos de trabalho e isso não derrubou o desemprego, a PEA está crescendo 1,9% ao ano, muito mais que os 0,8% do ano passado, revelando que o contingente de desalentados (aqueles que tinham desistido de procurar emprego), estão voltando a procurá-lo.
3) como desempregados são consideradas somente as pessoas que estão procurando emprego, a taxa real de desempregados certamente é muito maior.
4) como empregados são considerados aquelas pessoas que trabalharam pelo menos uma hora na semana, a quantidade de pessoas verdadeiramente empregadas certamente é bem menor.
A análise do PIB e do emprego...
No trimestre encerrado em setembro o PIB brasileiro cresceu 0,2%, em relação a 2018 que foi de 6,8 tri. Este percentual anualizado representa crescimento do PIB de 0,8% que também, de forma anualizada, estaria absorvendo 1,9% da PEA.
.. sugere o tipo de emprego criado.
Um crescimento tão baixo do PIB não permitiria uma geração de empregos tão grande. A explicação só pode estar no tipo de empresa que está contratando: empresas de baixa tecnologia e intensivas em mão de obra.
Em outras palavras, empregos de baixa qualificação e baixos salários.
Mas enfim...
Estamos sendo desafiados a dar nosso melhor para vencer a pior mazela de uma nação: não ter emprego para sua gente.
Marcos J. G. Rambalducci - Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.


