A crise da Argentina e seu impacto sobre os demais emergentes
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segunda-feira, 02 de setembro de 2019
Marcos Rambalducci 
Na última quarta-feira (28) a Argentina declarou que precisará de mais prazo para honrar seus compromissos junto ao FMI (Fundo Monetário Internacional).
Esta medida busca guardar dólares para aliviar a pressão sobre suas reservas internacionais. Uma decisão desta natureza tem efeitos sobre as demais economias emergentes.
As nascentes da crise ...
A Argentina vive uma crise econômica que teve origem na década de 1990, quando se iniciou o histórico déficit fiscal no país – situação em que o governo gasta mais do que arrecada.
.. e seu endividamento ...
Para financiar gastos acima da arrecadação, o governo passou a emitir títulos soberanos elevando a dívida pública de 39% do PIB em 2011 para 86,2% em 2018 (atualmente em US$ 342), com próximo a 70% dela atrelada ao dólar.
... levam um liberal ao poder ...
Em 2015, Mauricio Macri assume a presidência com o compromisso de reduzir a dívida pública e alcançar um superávit primário e para tanto aplica um plano de ajuste fiscal baseado nos cortes de gastos.
..., mas a economia não reage...
No entanto, a situação continua se deteriorando e em junho de 2018, a Argentina recorre ao FMI e obtêm uma linha de crédito de US$ 57 bilhões, na esperança de conter a saída de capitais.
... pondo em xeque a reeleição.
Em 11 de agosto, uma prévia das eleições, que ocorrerão em 27 de outubro, dá expressiva vitória a chapa de oposição, composta por Alberto Fernández, tendo por vice a ex-presidente Cristina Kirchner.
O Mercado reage mal...
Com a possibilidade de vitória da oposição, aumenta o risco de as medidas de austeridade não serem levadas avante o que coloca em dúvida a solvência do país.
... provocando fuga de capitais...
Com este cenário, os investidores ficam inquietos e trocam seus investimentos por dólares, o que depreciou o peso argentino em 35%, nos últimos 30 dias, e 58% desde o início do ano. No último fechamento (30) um dólar valia 59,39 pesos.
... obrigando-os a moratória...
O governo argentino não tinha outra alternativa que não a de tentar uma renegociação de sua dívida com os credores internacionais, visto sua impossibilidade de honrar os compromissos diante da iminente falta de dólares para tanto.
... com consequências nefastas aos demais.
Como a economia mundial está interligada tanto em nível empresarial quanto financeiro, uma crise em um país emergente pode levar uma aversão a risco nos demais emergentes, desencadeando uma fuga de capitais, que pode ser o estopim de uma nova crise.
Um panorama desafiador lá...
As previsões mais recentes apontam que a economia Argentina deve recuar 1,3% neste ano, com inflação próximo a 56% no acumulado de 12 meses, desemprego acima de 10% e a taxa básica de juros em 74% ao ano.
... que nos afeta aqui...
Some-se a isso, a Argentina é nosso maior parceiro comercial na América Latina. Em 2018 exportamos US$ 239,5 bi a eles e importamos deles US$ 181,2 bi, um saldo positivo de US$ 181,2 bi em nossa balança.
... então torçamos por eles.
É importante para nós que a economia da Argentina se reestabeleça, pois juntos seremos capazes de enfrentar mais facilmente as agruras que, pelo caminhar da carruagem, estão se aproximando.
Marcos J. G. Rambalducci - Economista, é Professor da UTFPR. Escreve às segundas-feiras.


