Os Monólogos da Vagina e a Evolução do Feminismo
A peça de Eve Ensler, 20 anos depois, ainda é uma leitura essencial e um importante ponto de partida para discutir as conquistas e a evolução do feminismo desde o fim do século XX
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 20 de agosto de 2019
A peça de Eve Ensler, 20 anos depois, ainda é uma leitura essencial e um importante ponto de partida para discutir as conquistas e a evolução do feminismo desde o fim do século XX
Maísa Carvalho 
Incomodada com o tabu ao redor da palavra “vagina”, Eve Ensler decidiu entrevistar mulheres por todos os cantos dos EUA. Mulheres brancas, negras, nipônicas, latinas, trans, lésbicas, heterossexuais, judias, católicas, sem religião, donas de casa, casadas, separadas. Ela colecionou histórias lindas e devastadores de mulheres que nunca conheceram o próprio corpo ou que foram reprimidas pelo desejo de conhecer suas vaginas, mulheres que tiveram seus corpos invadidos e violados, e, mulheres que descobriram o prazer.
A peça Os Monólogos da Vagina chocou os EUA em 1996, quando autora se apresentou em teatros universitários e espaços marginais, até chegar ao grande sucesso de lotar arquibancadas de grades cidades e transformar o texto em livro. Ensler conseguiu levar sua mensagem para além do que imaginou, a peça conseguiu fama entra as mulheres, que quiseram que fosse apresentada fora dos EUA e assim, surgiu um grande movimento para discutir a vagina.
A edição de aniversário de 20 anos d’Os monólogos da Vagina, contém histórias não mencionadas no texto original da peça de 1996, histórias que podem esclarecer na leitura um pouco de como o feminismo evoluiu nos últimos anos. A representatividade e os comentários políticos dos novos textos são essenciais para entender tal evolução. Talvez, em 1996 não fosse fácil lançar um livro com um capítulo inteiro dedicado às mulheres trans. E, o sucesso da peça permitiu que essa edição trouxesse textos sobre o resultado das apresentações por todo o mundo, inspirando jovens a se engajarem com o movimento feminista de suas universidade, cidades e países, e criarem ações para discutir os direitos das mulheres. Ensler criou um movimento mundial, que expandiu muito nesses 20 anos, com ações financiadas para levar discussões sobre direitos e proteção para mulheres de todo o mundo.
“Quando você rompe o silêncio, descobre quantas outras pessoas viviam esperando uma permissão para fazer o mesmo. Nós – todos os tipos de mulheres, cada uma de nós e nossas vaginas – nunca mais seremos silenciadas”, escreve. É importante que a peça original seja lida e analisada com todos os limites da época, para que a edição comemorativa seja vista sob as lentes da evolução e das conquistas do movimento feminista no século XXI. Para que a representatividade de todas as mulheres esteja presente no discurso ideológico de cada mulher, porque o feminismo é para todas.


