O sucesso que vem com a experiência
A editora geral da Ubu, Florencia Ferrari, contou um pouco sobre o início no mercado editorial, os anos na Cosac Naify e o processo completo de lançar um livro.
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terça-feira, 29 de outubro de 2019
A editora geral da Ubu, Florencia Ferrari, contou um pouco sobre o início no mercado editorial, os anos na Cosac Naify e o processo completo de lançar um livro.
Maísa Carvalho 
É bem no coração de São Paulo, no largo do Arouche, no meio do centro boêmio e comercial da cidade, que fica o espaço aconchegante da editora Ubu. Criada em 2016, um ano após o fechamento da Cosac Naify, a Ubu foi uma aposta no mercado editorial brasileiro.
Florencia Ferrari e Elaine Ramos, com anos de experiência em uma das editoras mais importantes do país, decidiram unir forças e continuar seu trabalho no mundo dos livros. Com apenas três anos e com um catálogo que começou com 35 títulos, a Ubu se tornou uma marca referência em design e curadoria.
Os títulos seguem a mesma linha da Cosac, misturando ficção literária, não ficção e livros sobre arte e arquitetura. Segundo a diretora geral, Florencia Ferrari, o catálogo da editora tem como objetivo “participar do debate contemporâneo. Debate do mundo e principalmente do Brasil atual, participando ativamente, com um catálogo de referências importantes, que ajudam a criar o pensamento crítico”.
Embora nos últimos anos, algumas editoras independentes tenham surgido no Brasil (Ubu, Todavia, Dublinenses, NoZ, entre muitas outras), o mercado editorial é muito competitivo. Recentemente uma das maiores e mais respeitadas editoras do país, a Zahar, foi adquirida pelo grupo Cia. das Letras, o que veio como um choque para muitos leitores. As edições lindas, com uma arte simples e bem-feita e capa dura da Zahar agradavam os leitores de clássicos Brasil afora, o catálogo invejável de não ficção publica muitos nomes conhecidos e respeitados mundo afora. Em tempos assim, é difícil pensar em como manter uma editora independente, com design pensado e edições um pouco acima do preço de mercado.
Segundo Ferrari, ela testemunhou de perto o que aconteceu com a Cosac Naify e essa experiência fez com que refletisse muito sobre como seria a Ubu. O catálogo é o mais importante, os livros precisam ser atualmente relevantes, mesmo que tenham mais de 100 anos. Livros como ‘O Coração das Trevas’, ‘Macunaíma’, ‘A Origem das Espécies’, são livros relevantes segundo ela, para o debate que está acontecendo. “Eu nunca imaginei que em 2019, nós estaríamos tendo discussões sobre a legitimidade do evolucionismo, a ciência, por isso é importante que Darwin faça parte do debate contemporâneo e do no catálogo”.
Os 13 anos trabalhando do mercado editorial, no entanto, foram o suficiente para saber que é preciso mais do que edições bonitas, uma boa tradução e um catálogo extenso e coeso. É necessário saber lidar com as redes sociais, principalmente nos dias de hoje, é necessário saber sobre o funcionamento do e-commerce. Para Ferrari, saber também o que fazer para manter suas publicações. Ela explica que são as edições de luxo, com tiragem limitada que muitas vezes tornam possível o lançamento de outros títulos da editora.
Para competir com as grandes vendedoras online, é necessário criar uma base de cliente fieis, que se importam em financiar um trabalho independe de uma editora com uma equipe com menos de 10 pessoas fixas. É necessário entender como funciona a divulgação, como trabalhar com digital influencers, e como resistir em um mercado desvalorizado e cheio de concorrência de grandes empresas que estão cada vez mais adquirindo grupos e selos editoriais menores. Com uma equipe inteiramente feminina e de formação humana, uma das mais jovens editoras do Brasil, se destaca com os leitores por ter um cuidado especial e cheio de detalhes com os livros, desde a escolha dos títulos, até o apoio de artistas nacionais para fazerem as capas e a esperteza na divulgação. Se é possível afirmar algo ao visitar o cantinho da editora e conhecer a equipe, é que a experiência, quando consultada com respeito, leva ao sucesso, mesmo no mais difícil dos mercados.


