Vitória paranaense

A autonomia conquistada para administrar contratos de áreas portuárias pelo Paraná é a consolidação de um feito que se construiu ao longo prazo das concessões. Com a formalização do convênio na Bolsa de São Paulo, pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, e pelo governador Ratinho Junior podemos considerar que a pretensão de fazer do nosso estado um centro logístico da América Latina ganhou impulso. Para complementar - e dar uma ideia dos efeitos dessa conquista - também anteontem a Klabin arrematou arrendamento portuário PAR01 no porto de Paranaguá, com a oferta de outorga de R$ 1 milhão em leilão feito na Bolsa. Há três projetos de concessão em trâmite, um de terminal de importação e exportação de veículos e dois para granéis sólidos.

O adensamento da economia portuária lançará o segmento numa fase inteiramente nova com perspectivas inclusive industriais. Resta agora seguir a estratégia já enunciada pelo governo estadual ao presidente da República quanto à logística supralocal já esboçada e que perseguiria o porto bioceânico acoplado ao de Antofogasta.

Cansaço

Há sinais de fadiga do material nas manifestações contra os cortes na Educação, pois a despeito de sua necessidade e urgência as mais recentes, ainda que operando em vários pontos do país, foram inferiores as havidas em maio. É o contrário do que se dá em Hong Kong na ocupação do aeroporto por multidões que lutam por democracia num regime que a nega em sua essência. Da mesma forma porém que é possível um estatuto de convivência em regimes diferenciados (um só país dois sistemas) com Formosa não será fácil obter o mesmo em Hong Kong e a supressão de voos por dois dias dá bem a dimensão do problema, isso sem falar na especulação de Trump de que haveria tropas chinesas a caminho quando isso jamais ocorreu desde 1997, quando os ingleses devolveram o território.

São causas diferentes, mas as que implicam em matéria territorial obviamente tem mais força do que aquilo que decorre da rotina de deficiências nos ajustes orçamentários. Como recriar energia em protestos no país é um desafio para a oposição ainda desarticulada.

E isso – a tal rotina referida - está presente no fato de que Bolsonaro gastou só 6,5% dos recursos previstos na área prioritária da segurança: liquidou R$ 113 milhões de R$ 1,7 bi que estavam previstos.

Arenas em questão

O Corinthians Paulista, através do seu presidente Andrés Sanchez, afirmou em reunião do Conselho Deliberativo que teria chegado a um acordo para reduzir a dívida com a Odebrecht de R$ 160 milhões. Tal situação, o custo das obras para a Copa, se repete em vários estados e também se dá aqui com o caso da Arena da Baixada que o Athletico tenta baixar em demanda judicial quanto à participação do governo estadual e municipal, ambos em aperto fiscal.

Evasão

Um dos maiores problemas da educação brasileira está na repetência e na evasão: em Londrina um levantamento ainda parcial junto a famílias de alunos de escolas municipais identificou mais de 5 mil pessoas que não puderam concluir seus estudos. Some-se isso aos cortes orçamentários, redução de repasses e ter-se-á uma dimensão do problema.

Por etapa

Correta a decisão do governo estadual em adequar o ritmo de sua reforma administrativa, cuja dificuldade maior pela especificidade técnica e doutrinária das instituições está na união do Iapar, Emater e Centro de Referência em Agroecologia. Indispensável se torna o mais amplo dos debates para evitar justamente, depois dos fatos consolidados, o risco de regressão. Ir por etapas, pelo autoconvencimento, já que a tapas não pega bem.

Itaipu

Ontem foi uma dia tenso no Paraguai na carga pelo impedimento presidencial em função do acordo de Itaipu, causa primordial das manifestações e bloqueio do comércio com suas lojas fechadas. Apropriada a pretensão do deputado federal Rubens Bueno, que obteve com a Comissão de Relações Exteriores da Câmara para que os ministros Ernesto Araujo, das Relações Exteriores, e Albuquerque Júnior, de Minas e Energia, participem de audiência pública para esclarecer implicações do acordo assinado, causa de toda turbulência. Pode ser pretensão democrática demais na atual conjuntura - e para alguns até ingenuidade -, mas é o papel, às vezes quixotesco, que cabe a um parlamentar. Temos que supor que vale a pena investir em democracia, seja conveniente ou não aos dirigentes de plantão.

Folclore

Da mesma forma que o PT se recusa a fazer autocrítica em torno de sua trajetória mais sinistra do que de esquerda (valha o trocadilho), o STF padece da mesma perplexidade ao não explicar por que manda arquivar todas as ações (nada menos de 111 de 1988 para cá, segundo a Fundação Getúlio Vargas) contra seus integrantes por suspeição de parcialidade.

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