De novo estamos às voltas com o insuperável vitimalismo que caminha ao lado de outra deformação, o messianismo. Como Bolsonaro se lançou como o antissistema – o que de fato era na sua condição de integrante do baixo clero -, ficou visível com a Lava Jato que o tal clero credenciado da política era a turma do padrão Sergio Cabral, Aécio Neves, etc, da qual conviria se distanciar. No momento tromba com o STF e um núcleo do capital, a Febraban, coisa excepcional para tê-lo como adversário e postar-se como vítima dos que julgam e dos banqueiros. A cada conflito desses a militância fanática dará uma dimensão épica, como faz com todas as falas do presidente no cercadinho de Brasília e nas redes sociais.

Essa a questão e tentar simplificá-la não convém por nossa experiência histórica, a principal com Getúlio Vargas, a de menor calibre com Jânio Quadros e a meio "pop", com Collor.

Manifestos

Manifestos mais eficientes são aqueles que quase prontos sofrem rejeição, o que acaba promovendo sua divulgação e também a dos que não concordam, como se deu com a turma do agronegócio em discreta oposição ao da Fiesp, que vai ser reelaborado. E tudo em cima daquilo que realmente não temos, notadamente no cenário de hoje, a harmonia entre os poderes. Mesmo ajustes como o tentado entre os presidentes da Câmara e do Senado, com o comando do STF para ajeitar a questão dos precatórios e fazer bombar ações sociais do governo e sem furar o teto, mostram como há incidentes inevitáveis. Fácil, por exemplo, é deixar o salário mínimo pior do que está sem o agregado da inflação.

Compensação

O IBGE detectou no fim do segundo trimestre pequena, mas expressiva melhora na questão do desemprego, que chegou a 14,7% e retornou aos 14,1%, apesar do peso representado pela massa de 14,4 milhões sem trabalho. A todo momento temos algum sinal de melhora, apesar das trombadas como essa da Febraban, da qual a Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil ameaçaram pular fora. A organização bancária mostrou, pela maioria dos seus integrantes, inconformismo com a gestão de Paulo Guedes e o enferruscado cenário da economia, algo que não se alterará com o ansiado Sete de Setembro, do qual certamente não virá o esperado milagre que também não emergirá dos manifestos pela paz.

Covid

Segunda feira o Butantan entregou dez milhões de doses da Coronavac ao Ministério da Saúde, o que atinge até agora 92,85 milhões, faltando apenas 7,15 milhões que serão entregues no fim de setembro. Causa da demora: inconformismo com o fato de Queiroga excluir o produto para a terceira dose. Relações entre governos, o federal e o estadual, não são nada saudáveis e não respeitam a gravidade do mal a combater.

Tivemos no fim da semana 313 óbitos e 12.453 infecções, a primeira morte pela variante delta em Piracicaba e a informação de que o governo Doria deixa de contar casos e mortes por Covid-19 nas escolas. Em Curitiba casos disparam, ocupação das UTIs em 75% e 19 óbitos.

Coaf

Agora o foco é o deputado Ricardo Barros, líder do governo, pelo Coaf, com movimentos incompatíveis com seu patrimônio, segundo notícias e ainda por cima alvo de ataques do relator da CPI, Renan Calheiros, que lhe atribui comando das operações sombrias.

Pedágio

Como se esperava, teremos conflitos na questão do pedágio, mas o governo estadual teve apoio do Tribunal de Justiça, que rejeitou o pedido de suspensão na delegação das rodovias estaduais.

Folclore

A deputada Luiza Canziani e seu pai, Alex Canziani, mais 50 lideranças deixam o PTB e ingressam no PSD de Ratinho Junior. É onda contra o comando de Roberto Jefferson, que tenta reproduzir o mensalão, mexendo na vida nacional, agora na cadeia, o que acentua o papel de vítima.

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