Visão conspiratória

Sempre houve um forte resíduo de visão conspiratória quanto ao pretendido pela suposta linha colonizadora em relação à Amazônia. Nos anos 60, o Hudson Institute levantou projetos de exploração das águas, vias de transporte e recursos minerais. E é claro, ao lado disso, e em aberta oposição, havia um forte sentido nacionalista e nativista que vinha desde os tempos da Fordlândia, enclave pioneiro de empreendedores norte-americanos.

A visão de hoje mais científica é pela exploração de sustentabilidade e há um coral mundial com respeito à sua preservação. O governo Bolsonaro segue a visão conspiratória atribuindo a órgãos como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, uma reserva de alta tecnologia, uma postura antinacional e antipatriótica acoplada a Ongs interessadas em manipular dados dos informes sobre desmatamento. A exoneração do cientista que a dirigia foi consumada, algo até então impensável.

A visão conspiratória anterior era que o maior interessado na Amazônia era justamente os Esteites, apontados pelo presidente de hoje como aliado incondicional. E nesse mix pleno de imaginação e cargas preconceituosas que se percebe o esgarçar do sentido real da nossa soberania, prejudicada pela inovação do alinhamento obrigatório, estranho à nossa vocação e ao histórico equilibrado e independente de nossa diplomacia.

Mapa da morbidez

Levantamento do IPEA, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, no Atlas da Violência, revela o avanço maior da criminalidade nas pequenas cidades, enquanto aquelas com mais de 500 mil indicavam queda de 4,5% na média estimada de homicídios. Do levantamento se conclui: 32.801 mortes violentas se deram em 2,1% dos municípios brasileiros, que concentram 50% dos 65.602 homicídios havidos no país em 2017.

Áreas de maior incidência no Paraná são cinco municípios da Região Metropolitana de Curitiba (Piraquara, 64,5, São José dos Pinhais, 41,8, Almirante Tamandaré, 41,6, Colombo, 41,1, Pinhais, 39 na taxa por 100 mil habitantes) e Paranaguá no litoral com 37,9. A taxa de Curitiba é uma das mais baixas dentre capitais, com 24,6. Nas cidades com menos de 100 mil habitantes houve alta de 113% na taxa média de mortes entre 1997 e 2017. A Grande Curitiba é nesse particular um Vietnã, além daquelas cinco ranqueadas, com Araucária e Campo Largo aparecendo com 39 homicídios e 34, respectivamente.

Prioridades

Já definidas as prioridades do legislativo pretende-se até o fim da semana em primeiro lugar a questão da data-base do funcionalismo e as fusões de autarquias e empresas de economia mista que respaldariam a reforma administrativa já iniciada, lá na frente, com a redução das pastas e secretariais. Para aquecer o ambiente, por entendê-la como pauta do poder, Ratinho não intervirá no debate do "Escola sem partido".

Dedo duro

O Tribunal de Contas tem agido severamente, de forma bastante desconcentrada, ouvindo denúncias da população, apuradas por sua retaguarda técnica e devidamente processadas. O interessante é que grupos de cidadãos muito bem articulados é que se incumbem da tarefa. Aliás, em boa parte do mundo policial a questão das drogas que sensibiliza famílias é o fundo permanente de boa parte da recuperação de cargas de tóxicos. Nos tempos duros do regime militar o dedo duro era visto como deturpado e aliado de um governo ilegal. Até a ex-presidente Dilma Rousseff, ao referir-se à sequência de denúncias de corrupção, na esteira da Lava Jato, fez a imprópria analogia como se atos dessa natureza, o roubo do bem público, não fosse uma necessidade imperiosa a combater.

Grupos organizados nas cidades para dar esse tipo de cobertura ao Tribunal de Contas não se confundem com o patrulheirismo desregrado e irresponsável dos anos de chumbo.

De novo

Pode-se aguardar um novo período de feitos da Lava Jato, necessidade imperiosa para ao menos neutralizar efeitos negativos da divulgação dos hackers no Intercept Brasil, e isso ficou mais ou menos nítido com a entrega no início da semana à Polícia Federal em Curitiba do bilionário Walter Faria, controlador do Grupo Petrópolis, que estava foragido há uma semana e que aparece como alvo principal da operação Rock City. Essa é a 62ª fase da Lava Jato, deflagrada no meio da semana passada. O dono do grupo responde a vários processos na justiça federal de Santos e na estadual do Rio de Janeiro. Conforme o Ministério Público as investigações apontam que o empresário tentou repatriar R$ 1,4 bilhão em contas em oito países somente em 2017. Ele é uma expressão no ranking dos mais ricos do país, ocupando a 19ª posição, conforme a revista Forbes.

Folclore

Tanto Ratinho Junior como seu colega paulista João Doria incluíram projetos de privatização em suas plataformas de governos. Pelo jeito o paulista, nesse particular, sai à frente, já que um dos poucos casos cogitados aqui é o da telefônica da Copel, ainda em estudos e que contam com a pressão corporativa em sentido contrário. O amor às estatais no Brasil nunca pode ser subestimado.

mockup