Vazamento aqui também

O governo Ratinho Junior apostou em economia com suas reformas e justamente a mais polêmica de todas, a das fusões entre empresas do agronegócio, foi alvo de um vazamento de relatório fazendário que prevê perdas e não ganhos nessa operação que conta obviamente com as reações corporativas. Percebe-se por esse acidente de percurso que simplesmente não houve debate circunstanciado do assunto, em que pese a forte resistência, até do setor privado, em favor da intangibilidade do Instituto Agronômico do Paraná.

Como a peça, aparentemente técnica, sugere perdas, o governo respondeu que tal relatório não foi a base das mensagens do Executivo ao legislativo e mantém a convicção de que haverá economia de R$ 16 milhões. Como se vê, parece reproduzir-se aí o mesmo efeito da redução das secretarias com pífio ganho de R$ 10 milhões anuais, já que na previsão do relatório, esse que vazou, estima-se alta de despesas em R$ 31 milhões.

Abra-se o debate e com a máxima intensidade possível e não apenas por se tratar da bandeira eleitoral de Ratinho Junior e sim porque a questão entra no exame do maior problema do Paraná traduzido em sua situação fiscal condenada à depressão.

As resistências em defesa do Iapar não se limitam aos seus quadros funcionais, mas também de órgãos ligados ao agronegócio e de deputados como Tercílio Turini, que radicaliza, ao pleitear que a instituição fique fora da fusão. A temática é polêmica demais para ser adotada sem um debate rigoroso.

Exercício nativista

Colocada a questão pelo presidente francês, Emmanuel Macron, de submeter a Amazônia a um estatuto internacional num debate na ONU, gerou-se um repertório sensível aos quadros militares que integram o governo Bolsonaro. Além da questão abranger um aspecto delicado do chamado globalismo, é gerado numa outra restrição bolsonarista à relativa a organismos multilaterais. A forma como se deu o andamento das posições do governo brasileiro e do francês favorece o exercício nacionaleiro, dispositivo nunca desprezado e isso, desde lá atrás, em torno da hileia amazônica.

A mesma soberania que fundaria os cuidados de Lula e Dilma, insuficientes para conter saques de sua turma na Petrobras, vai ser revivida agora e dando ênfase à questão geopolítica a que tanto se ligam os nossos militares. Tanto que foram esses vínculos, compromissos montados nos campos bélicos da Itália, na Segunda Guerra e que fundamentaram a intervenção de 1964 fortemente ativada pela Guerra Fria.

E isso pode até significar um breque na escalada negativa de Jair Bolsonaro nas pesquisas, como a mais recente delas, a da MDA-CNT, avaliado como ruim-péssimo por 39,5%. De outro lado há tudo com sentido na reaproximação de Bolsonaro com a cúpula militar do seu governo estimulada pelo caso da Amazônia e seus desdobramentos. A rejeição, de um modo geral, do desempenho presidencial, subiu de 28% para 53%.

Mais montadora

Na reunião do secretariado uma notícia forte: Ponta Grossa deve receber uma unidade produtora de caminhões da Tatra Truck da República Tcheca, resultado de missão recente do vice-governador Darci Piana, que esteve naquele pais, e da visita de sua embaixadora no Brasil, Sandra Lang, que esteve com o governador e seus secretários. Há no disparo vários investimentos em nosso estado.

Caixa três

Raramente se fala em caixa três e a referência veio de diligencias da Polícia Federal contra o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a quem se atribui os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro com repasses da Odebrecht ao deputado e ao seu pai, ex-prefeito do Rio e atual vereador Cesar Maia.

Capta-se aí a retomada das ações da Lava Jato e o relator no STF, ministro Edson Fachin, abriu prazo de 15 dias para que a Procuradora Geral da República, Raquel Dodge, veja se denuncia Maia ou arquiva o caso. De outro lado, Raquel Dodge está empenhada em investigar a sequência de incêndios florestais na Amazônia sob suspeita de arregimentação de pecuaristas, madeireiros e mineradores em ação coordenada na primeira quinzena de agosto.

Chiadeira

Quem se manifestou sobre as consequências do contingenciamento orçamentário foi Sergio Moro, ministro da Justiça, falando em inviabilidade para atuar, e o cenário de falta de recursos coloca sob risco o CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, que financia um terço da ciência no país. Esse é um dos setores mais vulneráveis.

Folclore

Curitiba sob a simulação de ataques aéreos nos blecautes da chamada defesa passiva tinha forte adesão e os comissários davam uma dura nos moradores que deixavam escapar um raio de luz, mínimo que fosse. O incrível é que o Colégio Estadual do Paraná, que estava naqueles dias em construção, tinha um abrigo antiaéreo.

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