Uma luta desigual
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quinta-feira, 27 de junho de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Uma luta desigual
Se há algo que o Brasil desconhece, ignora ou com o qual é complacente é a corrupção, como se capta nas notícias engajadíssimas quanto ao destino da Lava Jato. Figuras simbólicas da mão no jarro como Adhemar de Barros e Paulo Maluf, o primeiro invicto e o segundo só recentemente punido em que pese suas aventuras internacionais, estão aí para comprová-lo. Por isso é desigual aqui qualquer combate contra a corrupção sistêmica e a impunidade que a tem acompanhado. Depois do mensalão e do petrolão foi inevitável um ciclo punitivo como o vivido. Redescobria-se o país e os quadros beneficiários da situação se rebelaram ao ponto de partirem para ações clandestinas no empenho de combater a hipótese de uma nova ordem de valores.
O acirramento das posições, sob um ambiente ideologicamente tóxico, chega à corte superior com a maior naturalidade, dando a impressão de que os ministros vestem a camisa da causa, tal qual se viu novamente na 2ª Turma do STF onde tais entreveros são normais e esperados. Ficou aberta a possibilidade de ser formalizada a suspeição do ministro Sergio Moro com o que se beneficiaria o réu Lula. Réu para as instituições, rei para seus seguidores.
Teremos ainda manifestações de rua neste fim de semana, em vários pontos do país, em defesa de Sergio Moro e da Lava Jato e certamente os opositores montarão as suas. O fato é que séculos de impunidade, tolerância com o saque do bem público, justificam as cautelas que os operadores tiveram, inclusive por vezes desrespeitando rituais, para fazer valer o sentido essencial de um ciclo que não pode ser outra coisa que não de repressão e punição e de colocar o polo defensivo nas cordas.
Primeira vítima
Na guerra de informações entre a Secretaria de Educação e o Fórum grevista a primeira vítima é a notícia. Que a greve foi parcial e de apoio pouco significativo ficou visível. Mas mesmo assim o governo sentiu, tanto que pediu mais tempo para negociar desde que suspensa qualquer hostilidade. Policiais civis, em movimento mais inteligente em termos de pressão, bolaram uma tal de operação padrão que desmoraliza o governo ao mostrar a precariedade das condições de trabalho e em especial a péssima situação da frota, que para complicar está sob investigação da concessionária denunciada. Mostrar casos como o de um veículo, que não vale R$ 20 mil e já despendeu sete vezes mais, seriam didáticos para expor uma fragilidade e deixar clara a derrota do governo em sua bandeira de fazer mais com menos, até porque, no caso pedagógico, faz o contrário: menos com cada vez mais.
Se os professores, da mesma forma que os policiais, revelam as deficiências operacionais com instalações degradadas, falta de condições para um desempenho médio, o governo capitularia como se já não bastasse a roubalheira dos desvios em prédios escolares, revelada na "Quadro Negro", e que levou Beto Richa à cadeia.
Ritmo de sempre
Fala-se muito na questão da escravatura no Brasil quando a da corrupção, em que ela se insere, é muito maior. E como a da escravatura enfrentada com as leis do sexagenário e do ventre livre, portanto no ritmo da conveniência e conivência (lento e gradual como o da abertura democrática a contagotas dos milicos), pretende-se agora fazer o mesmo na questão da impunidade, e o ato libertário para os de sempre, hoje acuados, é atingir Sergio Moro e o fluxo judicial. Joga-se com o mito popular de um ex-presidente, mas ele é um dos apenados, não todos e de inocente nada tem, tantos os procedimentos a que responde.
Mercado Pet
Neste fim de semana, o Parcão do Museu Oscar Niemeyer na capital recebe a terceira edição da Parada Pet, que vai de 28 a 30, o que deve agitar e consolidar o mercado com informações aos aficcionados e inclusive no sábado com microchipagem gratuita para identificação animal.
Menos de zero
Como se não bastasse a resistência do governo os indicadores de inflação jogam percentuais lá para baixo, o que diminui a perspectiva de ajuste salarial automático dos funcionários. Prévia do IBGE caiu ainda mais de 0,35% em maio para 0,06% em junho e em cinco das onze capitais pesquisadas o sinal é de deflação.
Paleontologia
Descoberta de nova espécie de dinossauro em sitio paleontológico de Cruzeiro do Oeste joga o Paraná no cenário da ciência mundial por tratar-se de espécie única. Desde 2014 o sítio ficou célebre com a descoberta de 47 fósseis.
Folclore
É de Paranaguá também a história do homem que se asilou no principal hotel da praça Fernando Amaro para não sofrer a inconveniência de receber apelido e que, desconfiado, de vez em quando, por trás das cortinas, olhava para o mundo exterior. Como fazia os movimentos de hora em hora ganhou o apelido de "cuco". Outra cidade, famosa pelo hábito de apelidar, Florianópolis, capital catarinense, também reivindica ter sido o cenário da divertida passagem. Cuco é tema da MPB . "O passarinho do relógio está maluco// ainda não é hora do batente// e ele fica impertinente// acordando toda gente// fazendo cuco, cuco//"


