Curitiba batia recordes com novos 674 casos de Covid-19 e 14 mortes, e na área gramada do Museu Oscar Niemeyer os jovens predominavam no clima de festa como se naquele momento não houvesse registro acumulado de 442 óbitos. Cena igual em Londrina, no Igapó, em clima também festivo como se a cidade não acumulasse 62 mortes no domingo e a marca de 1.070 casos. Para cada grupo de 100 pessoas testadas em Londrina apenas 16% tiveram diagnósticos positivos, enquanto em Maringá daria 31%, Curitiba 34% e Cascavel 74%.

Como persiste a suspeita de que os números estão subnotificados – e que a dimensão da crise é muito maior - essa desejada antecipação da normalidade por parte do povo se torna algo fora de controle da administração, dada a compulsão das massas.

Devolução

Servidores municipais e estaduais, que receberam indevidamente auxílio emergencial, já devolveram aos cofres públicos R$ 4 milhões. Maior responsável por isso é o Estado, gigante e inepto, por situações absurdas como a de servidores com remuneração de R$ 35 mil recebendo os R$ 600, algo absolutamente anedótico.

Bandeira branca

A saída rocambolesca de Weintraub, da Educação, embora marcada por quase uma fuga (como aparenta para a oposição) aos EUA representou um ganho na perspectiva de um apaziguamento entre os poderes, dado o seu posicionamento agressivo ao STF. Era condição indispensável para a trégua já explorada, mas a tensão agravada com a prisão de Fabrício Queiroz melou o ambiente de tal forma que praticamente neutralizou os efeitos do encontro de três ministros de Bolsonaro com o relator dos casos mais agudos, o ministro Alexandre de Moraes. Já as manifestações pró e contra o governo começam a revelar cansaço no que diz respeito ao número de adesões. Por sinal que os esforços do governo para excluir faixas pelo fechamento do Congresso e STF foram inúteis e isso fortalece a carga contra os atos antidemocráticos, que está na essência dos seus objetivos.

Citação

Em meio às especulações sobre o novo ministro da Educação, houve citação ao titular da pasta do Paraná, Renato Feder, como uma solução técnica. O Paraná teve em 1964 com a ida do reitor da Federal, Flavio Suplicy de Lacerda (autor do 477 que fechou centros acadêmicos e diretórios centrais), para Educação, seu retorno a figurar em ministérios que havia ocorrido com a ida de Aramis Athayde para a Saúde e Munhoz da Rocha para a Agricultura, dez anos antes. Na pasta da Educação iríamos emplacar, ainda no começo do regime militar, Ney Braga, e Ivo Arzua Pereira na Agricultura. Na Educação tivemos ainda Euro Brandão. No governo atual a ministra Damares é paranaense, de Paranaguá.

Folclore

Um dos clichês recorrentes sobre comportamento político do paranaense é o de que se trata de incorrigível autofágico. Joffre Cabral Silva, que foi presidente do Clube Curitibano, costumava comparar o homem com a sega à mão nos símbolos estaduais como alguém mais preocupado em cortar a cabeça do primeiro que tivesse a pretensão de aparecer do que voltado para a faina de plantar e colher.

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