Um respiro
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terça-feira, 10 de novembro de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
A vitória de Joe Biden, ainda que contestada, mexeu com o mercado: a Bolsa subiu e o dólar caiu. Outro fator gerou otimismo - a vacina da Pfizer e BioNTech, com 90% de eficácia. O que é relevantíssimo para um mundo com mais de 50 milhões de casos, segundo a Johns Hopkins, e a aceleração de infecções nos EUA em mais de 100 mil por dia, razão pela qual Biden trata o tema como prioridade absoluta, montando uma força-tarefa, centrada na técnica e na ciência, para enfrentá-la. A estabilidade nas estatísticas (Brasil com 10,5 mil em 24 horas, Paraná com 90 óbitos) permitiu que os transplantes (somos vanguarda na matéria) voltassem a crescer, tanto que os números de agosto e setembro se assemelham aos de 2019. Uma preocupação inesperada foi detectada com a Covid-19 na criação de visons em seis países. Depois de um respiro, a angústia e a depressão reconstituídos.
Baixa reação
Em tempos normais haveria certamente maior reação à questão colocada por Ratinho Junior em favor dos colégios cívico-militares, mas a pandemia gerou a desmobilização dos setores que doutrinaria e pedagogicamente não aceitam a alternativa. A justiça entendeu como regular a consulta oficial. Essa é outra parada não resolvida. Quando houver clima teremos espaço para a contestação, que não pode depender só do sindicalismo da APP, às voltas com questões mais imediatas como as trabalhistas em andamento e o aporte do pessoal provisório.
Oportunismo
Valendo-se do estresse e da fadiga do material em relação à Lava Jato, um abaixo-assinado de 400 lideranças políticas da América Latina, África e Europa, dominantemente universitárias, pede ao STF a anulação das sentenças contra o ex-presidente Lula repetindo o chavão de que houve conluio e perseguição. Quem vai receber o manifesto é Gilmar Mendes, o mais radical dos críticos da força-tarefa.
Centrinho
Há o centrão, aquele que é invocado pela governabilidade, e que joga todas as fichas hoje com Bolsonaro, e o "centrinho", que apareceu no meio da semana passada no encontro entre Hulk e Moro, ex-ministro, e mais o governador paulista João Doria.
Rachadinha
Flavio Bolsonaro teria, segundo o Ministério Público, obtido ganhos de perto de R$ 1 milhão com as rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. O senador Flávio, então deputado estadual, mais Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas foram denunciados por peculato, lavagem de dinheiro e apropriação indébita.
Folclore
Há uma fixação de analistas do mundo acadêmico em torno das manifestações de desigualdade que acompanham a pandemia e agora veio uma da má nutrição dos anos escolares e que é sintetizada na afirmação de que uma brasileira de 19 anos tem altura de holandesa de 13. Não é o que sentimos quando os times de vôlei do Brasil e da Holanda se enfrentam. Por sinal que as nossas são bem mais altas.


