Um novo Carandiru
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de maio de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
Um novo Carandiru
Sergio Moro está preocupado com a saída do Coaf de sua pasta e também com a aprovação do pacote anticrime, porém a prioridade maior do seu ministério é dar resposta à ameaça de uma série de Carandirus no sistema penitenciário. Consideradas as vítimas anteriores temos algo como a matança paulista nunca efetivamente julgada, o que é bem expressão brasileira: mais 55 mortos em quatro presídios de Manaus.
Coaf e pacote anticrime, em que pese seu valor simbólico, se dissipam diante desse teatro de Grand Guignol do sistema presidiário, vulnerável, campo de guerrilha permanente do tráfico. E qual a resposta do ministro para o acontecimento, afinal sua prerrogativa?
Convenhamos que a fase heroica de Sergio Moro passou até porque fundamente questionada e agora sua energia e inspiração devem dar respostas ao fato afinal tão impactante quanto seus inegáveis feitos como juiz.
Roubalheira sem fim
Enquanto o governo estadual, a pretexto de ajustar-se à Lei de Responsabilidade Fiscal na discussão com servidores públicos sobre reajuste salarial, se preocupa em gastar demais, descobre-se que os chunchos continuam e em setor já investigado - o da manutenção da frota de carros públicos em R$ 150 milhões em operações de superfaturamento, detectadas lá atrás pelo Ministério Público em 2015 com a Voldemort operada pelo priminho Luis Abi Antoun, foragido no exterior.
A antecessora de Ratinho, Cida Borghetti, alertada para a frequência de atos de corrupção que enodoavam toda a administração pública, sinalizou um ato de resistência, porém não suficiente, criando uma Divisão especializada na polícia. Óbvio que não é vocação da polícia em nosso sistema federativo cumprir esse papel, tanto que as ocorrências novas e reveladoras se dão em função de fatores externos alimentados pela polícia e justiça federais, como se deu aqui e no Brasil todo. Que fizeram polícia e justiça regionais nos casos daqui, de São Paulo e do Rio de Janeiro, excluída a atuação do Ministério Público?
Enquanto o governo discute tostões de gastos com pessoal, o afano continua e está a exigir um pente fino e para valer e para mostrar que a Lei de Responsabilidade Fiscal é muito mais do que um cartão vermelho para demandas funcionais e sobretudo o fundamento da gestão honesta e transparente, disposta, porém, a punir e fazer cumprir a lei .
O quadrimestre
O secretário da Fazenda, Renê Garcia Júnior, vai expor hoje no legislativo a situação fiscal no primeiro quadrimestre e em momento em que o funcionalismo estadual pretende reajuste de pelo menos 4,94% dos salários congelados há três anos. Teremos aquecimento nas galerias, pois o governo alega falta de recursos.
Pactos
Volta e meia se apela a pactos como agora o faz o presidente Bolsonaro, mergulhado como sempre em ambiguidades que não disfarçam seu autoritarismo. Há pactos e patos como aquele da Fiesp. A situação brasileira, sem qualquer dramatização, exigiria algo como o Pacto de Moncloa na Espanha. Porém, o nosso nível é muito primário, como se viu no domingo em que ficaram perceptíveis o tom fascistóide, ainda que colocado em plano menor, pelo fechamento do STF e do parlamento. Também da oposição não se vê nada de robusto, ainda que petistas estejam protocolando medidas para aumentar o emprego, apostando de novo no consumo.
Inimputável
Adélio Bispo, aquele que esfaqueou Bolsonaro, foi considerado inimputável. Não é o único, há outros com igual situação entre atores da cena política.
Trilhão
O trilhão virou agora referencial numérico de primeira grandeza: semana passada ficou, pelo Impostômetro da Associação Comercial, demonstrado que até aquele dia o contribuinte brasileiro já tinha gasto um trilhão de reais em tributos. Por sinal que a meta de Paulo Guedes com sua reforma previdenciária é economizar um trilhão em dez anos. Resolve ou alivia?
Chatice
Quando tivermos disputas finais de futebol em penalidades máximas, o VAR operará a todo vapor e as competições ficarão mais tensas ainda com os goleiros descumprindo as regras. Teremos em função disso uma chatice piramidal, demoradíssima, com os repetecos.
Previdência
Curitiba já se ajustou a nova regras previdenciárias, o estado ao menos está melhor do que os outros em que pese a perda de capital da ParanaPrevidência (2 bi por ano) para desafogar gastos do Tesouro, e agora Londrina deu passo importante aprovando a reforma na CCJ da Câmara Municipal.
Folclore
Para Moacir Tosin, o Jacaré, vereador curitibano, não havia missão muito menos micção perigosa: para sustentar uma votação na presidência da Câmara Municipal transformou um vaso em urinol e como prefeito interino fez xixi no jardim.


