Ressentidos da Lava Jato – advogados criminalistas, 90% da classe política, áreas do Judiciário, o time do colarinho branco, os sentenciados e os por sentenciar - em coro torcem contra o ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, para vê-lo num constrangimento semelhante ao que sofreram. Moro merece, ao ter admitido sua passagem de herói a vilão quando aceitou o cargo ministerial, transformando-se em político. Paga pela transição e ironicamente por depender agora de um criminalista, classe que tanto incomodou.

Como tudo no país, a mais importante cruzada contra a corrupção e a impunidade acabou desfigurada, ficou a meio caminho e apenas alimentada por notícias como essa da PGR na denúncia contra Aécio Neves de receber R$ 65 milhões em propina. Que venham outras para que a visão sobre Sergio Moro melhore e haja mais equilíbrio no julgamento.

Ainda o detalhamento

A decisão do STF (ministro Edson Fachin) sobre limites ao funcionamento de atividades em Londrina prova uma carência do entendimento genérico em torno de graus de autonomia de estados e municípios lavrada na instância superior, não bem detalhados em seus respectivos graus. O fato é que o pior já aconteceu com o afrouxamento da quarentena que levou a casos extremos como os do Maranhão e Pará (10 cidades) sob lockdown. Brasil não é bom exemplo com seus 114.715 casos e quase oito mil mortos (no Paraná são 1.588 casos, mais de cem mortos).

Reação

A política de desestatização de Ratinho Junior já está sendo cobrada como abusiva e isso não apenas pelo professorado na extinção de carreiras nas escolas e terceirização de funções como agora no caso do fim do software livre, que já encontrou resistência na votação apertada de 27 votos a 22 no legislativo. Prova da absoluta falta de consistência dessa onda privatizante até por não contar com um corpo de doutrina consistente, um tanto quanto assemelhado ao da linha anti-intelectual da moda que vem lá de cima. Se a aprofundarem de repente será proibido pensar.

Socorro

Embora menos contundente do que o primeiro projeto, o socorro a estados e municípios de R$ 125 bilhões, pasteurizado no Senado, passou na Câmara Baixa e retorna à Alta com derrota para o Ministério da Economia e questões polêmicas como a de preservar reajustes para a PF, o que demandará inevitável judicialização.

Lula a favor

Lula, como seus liderados, se recusou a fazer autocrítica dos seus desvios, mas agora o faz de forma indireta quando defende o direito de Bolsonaro mexer na PF, o que nem ele muito menos Dilma fizeram e acabaram coagidos.

Folclore

Todos dizem – e com sobras de razão - que Jair Bolsonaro, por sua trajetória de deputado federal, é do chamado baixo clero. Como ganhou a eleição? Simples: os do alto clero eram Aécio Neves, José Serra, Geraldo Alckmin, Fernando Collor, todos presidenciáveis, e Eduardo Cunha, por exemplo, na linha sucessória, quase tudo isso na condição de presidente da Câmara Federal.

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