Teste agudo para Moro
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terça-feira, 21 de janeiro de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
Sergio Moro é o símbolo maior, levado à condição de super-herói de história em quadrinhos, ainda do momento brasileiro, por força das ações, ainda em pleno andamento, da Lava Jato. Cometeu um grave equívoco ao aceitar o posto ministerial de Bolsonaro, onde tem sido passado para trás com a maior naturalidade, inclusive nos pacotes como o do anticrime na pendência em torno do juiz de garantia, ora adiada por seis meses.
Já teve desafios em ações do crime organizado nas quais se valeu da Força Nacional e está agora às voltas com a fuga de 75 integrantes do PCC no Paraguai (Pedro Juan Caballero) numa questão que diz respeito à logística, extremamente precária, das nossas fronteiras. Um dos feitos da atual gestão no ano passado foi a transferência de 22 integrantes, inclusive líderes, da facção para presídios federais.
Reformas e Candelária
Uma das reformas em estudos é a Administrativa, que entre outras coisas pretende atacar o tabu de submeter servidores públicos a avaliações de desempenho, claro que o propósito é reduzir a massa funcional, submetê-la a processos de readaptação e encarar demissões. Em nossa música popular há uma carnavalesca "Maria Candelária", que caricatura o não fazer dos barnabés.
"Maria Candelária é alta funcionária// caiu de paraquedas// na letra ó ó ó ó// Começa ao meio dia// coitada da Maria// trabalha, trabalha de fazer dó ó ó ó// a uma vai ao dentista// às duas vai ao café// às três vai à modista// e às quatro assina o ponto e dá no pé// que grande vigarista que ela é//". O tom genérico explora a inconformidade de boa parte da população com privilégios que servidores, notadamente federais, manteriam. O Brasil já teve uma escola modelo de administração pública no Dasp, Departamento Administrativo do Serviço Público, como tínhamos regionalmente o Desp, Departamento Estadual do Serviço Público.
Aí vai ser uma luta contra a CUT, que agrega sindicatos do setor público e aqui no Paraná o maior dos exemplos está na APP-Sindicato, sempre generosa nas causas corporativas. Atacar o barnabé é manter o lulismo sob choque, como já acontece nas áreas da cultura e da educação.
Eleições
Embora dificilmente o partido pretendido por Bolsonaro dispute eleições municipais, teremos em todo o Brasil a troca de legendas por parte de vereadores, as maiores movimentações em Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel. Entre 5 de março e 3 de abril a "janela partidária" permitirá que edis mudem de partido sem o risco de perder mandatos. E tudo resulta do fim das coligações, avanço da legislação eleitoral que permitia aventureirismo em cima de puxadores de votos.
Convencido de que não haverá tempo para montar a Aliança Pelo Brasil, o presidente admite que ficará fora do pleito. Em Curitiba pintam pelo menos seis candidatos: Rafael Greca, DEM: Ney Leprevost, PSD: Gustavo Fruet, PDT: Fernando Francischini, do PSL: Luciano Ducci, PSB; João Arruda, do MDB. Há um movimento pretendendo trazer Requião à competição.
Narcisismo doentio
A forma como Roberto Alvim usou o domínio que detém sobre teatro operou a todo o vapor na encenação que o levou à queda. Partiu de um paralelo com Joseph Goebbels e de uma frase que decalcou imitando formalmente a postura do ideólogo do 3º Reich e de uma cena que precedeu em alguns dias a queima pública de livros na Alemanha. Nunca tivemos tal obscurantismo e até o filósofo do governo, Olavo de Carvalho, achou que Alvim não estava bom da cabeça. O pior é que fixou o retrato do presidente Bolsonaro e que copiava o de Hitler na versão original da marcação da cena teatral.
Do nacional socialismo acusa-se como pertencendo aos seus quadros um dos maiores filósofos da corrente existencialista, reitor da Universidade de Berlim, Heidegger, contradição em termos.
O recall possível
Já se imaginou entre radicais do liberalismo a ideia do recall contra políticos que tenham enganado sistematicamente seus eleitores. Já o recall que habitualmente convocam usuários e consumidores em peças de automóveis ou em remédios é corriqueiro. Ontem havia na imprensa local um da Nissan convocando 4.844 proprietários do Frontier, produzidos entre 2007 e 2008, para substituir o gerador de gases do airbag do motorista. Fazia a reconvocação de 55 proprietários do Pathfinder e 124 do Sentra. Outro comunicado de recall, este na "Folha de S.Paulo", exortava ao recolhimento, voluntário e preventivo, da Ranitidina de 150 mg e 300 mg de comprimidos revestidos da Medley, medicamento genérico.
Há quem sonhe em ainda ver o recall de eleitos que atendeu parcialmente pelo menos parte da demanda com a Lava Jato e medidas subsequentes. O melhor é pela via eleitoral, como se deu aqui com Beto Richa e Roberto Requião, e em Minas, com Dilma Rousseff.
Folclore
Pelo jeito o governo federal é refém de uma ala dominante de caminhoneiros que discorda do reajuste de 11% a 15% e quer de 15% a 18%. Dar corda aí pode gerar enforcamento.


