Terror como rotina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 02 de dezembro de 2020
Luiz Geraldo Mazza 
Uma semana depois do ataque a Araraquara, no qual até agora ninguém foi preso, ocorre um dos maiores assaltos do Brasil, em Criciúma, Santa Catarina. Uma operação ousadíssima com emprego de dez automóveis que levou o terror à cidade a partir do início da madrugada. Se em meio à pandemia já sofremos como rotina, é só o que faltava para acentuar o pesadelo de uma realidade opressiva. Deu para perceber que cidades de porte médio, ao lado das pequenas, como se deu ontem em Floraí, Noroeste paranaense, se ajustam à refinada logística de assalto a bancos, seja por explosões, como na maioria dos casos, seja por exercício de pressão e no bloqueio de ruas para inviabilizar a reação e imobilizá-la .
Avanço
Como se já não bastassem nossas deficiências reveladas no caso de Criciúma estamos diante de nova escalada da pandemia. Tanto que um dia depois da eleição, São Paulo aperta o rol de restrições preventivas e o mesmo se dá, de certa forma, por aqui, na capital, com 16 mortes em 24 horas e 1.245 novo casos, apurando-se que novembro chegou ao máximo e no Brasil a média móvel diária é de 518 mortos num total de 175.165 até agora e mais 22.622 infecções em 24 horas e que já somam 6.336.278 casos. A prefeitura de Curitiba suspendeu atendimento de 111 unidades básicas e há situações dramáticas como a de pacientes graves, cinquenta deles no aguardo de vagas em UTIs. A qualquer momento o toque de recolher.
Varejo
A alta da cesta básica é um fato e para complicar o quadro tivemos ontem a mexida no preço da energia, o que revela deficiências de governança na intervenção da Aneel, mais um preço dito controlado indo para o espaço. Há sinais de retomada do consumo, como as vendas a varejo de setembro superando as do ano passado. E 14% de desempregados, o informe do IBGE de que em outubro tínhamos 7,6 milhões de trabalhadores atuando em forma remota.
Previsão
A correlação de forças nos estados mudou muito com a eleição municipal e pode influenciar a disputa de 2022. No Paraná um feito de Ratinho Junior com o PSD ao sair de 29 prefeitos em 2016 para 129, isto é, cem a mais. Analistas acentuam que o resultado eleitoral afeta articulações de líderes do DEM na Bahia e no Rio, o PSD no Paraná e PP no Piauí e Alagoas. No Nordeste a aliança entre PDT e PSB foi vitoriosa em capitais e é fato relevante a considerar nas interpretações dos analistas.
Em meio às reflexões sobre efeitos das eleições há a observação do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de que João Doria tem que se nacionalizar para 2022. Embora o peso de São Paulo como maior unidade federativa, é indispensável a nacionalização.
Folclore
Se os feitos da Lava Jato foram postos em dúvida por questões formais (o ajuste entre juiz e promotores), agora estão pegando no pé do ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro por ter aceito consultoria de empresa Alvarez & Marsal, que tem entre seus clientes a empreiteira Odebrecht, um dos alvos do ciclo punitivo. Sergio Moro não vê conflito, como não enxergava nada de anormal na dobradinha com os procuradores.


