Tempo de concessões

Desde os anos sessenta no Paraná se estuda a concessão de parques como o de Vila Velha. Logo no início do governo Ney Braga a ligação rodoviária, que cortou o parque, levou a administração a criar um Grupo de Trabalho – do qual participei não apenas como gestor da área de turismo e como assessor jurídico -, que era composto entre outros pelo engenheiro sanitarista Armando Júlio Bittencourt, seu presidente. Pensou-se em duas formas de concessão – uma global tratando o assunto na perspectiva de um Plano Diretor ou fazendo a exploração por unidades.

Vila Velha foi, muito tempo, sede do Departamento de Produção Vegetal, e fazia-se ali a experiência da acomodação do pinus eliotti, algo que trombaria hoje com as características do bioma. Não seria fácil acomodar esses interesses, ante a facilidade de expansão da espécie que iria aparecer na Serra do Mar, anos depois, em projeto de reflorestamento privado e alertar ambientalistas na voz do geólogo João José Bigarella, que mostrava as consequências no entulhamento da baía de Paranaguá, problemas na navegação e atividade portuária.

Houve, à época, um pleito do bispo de Ponta Grossa, Geraldo Pelanda, para que se instalasse uma igreja no local associada a um projeto social, e o grupo de trabalho se postou contrário sob o argumento do Estado leigo e da oposição do Código Florestal. Como havia o momento do ecumenismo, pelas ações revolucionárias do papa João XXIII, imaginamos como seria um templo com tal característica e o incluímos no projeto. Talvez tenha sido a primeira iniciativa nesse sentido. Foi também bolado um museu geológico pela circunstância de aquele cenário constituir-se no fundamento da teoria (terra de Gondwana) da migração dos continentes.

Ao longo do tempo foram exercidas formas precárias de exploração e é de esperar-se que se faça algo como o que conseguem empresários paranaenses em Foz do Iguaçu e Fernando de Noronha, que afinal possuem escala para a prestação de serviços. Agora já temos uma lei que autoriza a exploração total ou parcial dos parques.

Plenário decide

O ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no STF, vai levar ao colegiado a decisão da Segunda Turma que anulou a sentença de Sergio Moro que condenou Aldemir Bendine, ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras. A força-tarefa em Curitiba teme que a nova jurisprudência - a que exige a intervenção por imposição do contraditório do acusado na contestação dos delatores - provoque uma sequência de pleitos absolutórios e que alcance figuras como Lula, José Dirceu, Sergio Cabral.

Sabe-se que o reexame será caso a caso, mas de qualquer modo revela sobretudo insegurança jurídica. O fato é que a Lava Jato vive um mau momento e as ações para recuperá-la se mostram menos contundentes do que as degravações da Intercept Brasil.

Sarampo

Confirmada a primeira morte em um século por sarampo em São Paulo: um homem de 42 anos sem registro de imunização em 17 de agosto. Em São Paulo há 2.457 casos da doença, dos quais 67% (1.637) na capital. O fato é que houve afrouxamento no rigor das medidas profiláticas e isso se revela na busca por vacinação e aumento, no caso paranaense, da doença.

Dramatizações

De herói a vilão, essa a trajetória do Sergio Moro, depois da Vaza Jato. O hacker Walter Delgatti Neto aparece na imprensa como pessoa de bem, empenhada na busca da verdade. É a mutação do maniqueísmo inevitável quando a ideologia intoxica o ambiente. Não tinha qualquer interesse em levar vantagem e, como era estudante de Direito, via no fluxo judicial desrespeito a fundamentos da ampla defesa.

Terciário

Em 2017, ainda sob influência de recessão, tivemos a perda de 43 mil empregos no chamado setor terciário de serviços, Curiosamente no segmento criamos 197 empresas e 12.123 vagas. Saímos em quarto lugar, antes dos gaúchos, com 98,9 bilhões, e isso depois de Minas (128,9 bi), Rio (217,6 bi) e São Paulo (712,4 bi). Rio Grande do Sul faturou 88,4 bi, e Santa Catarina, 64,2 bi.

Doria-Moro

Valendo-se do quadro constrangedor que vive Sergio Moro no governo Bolsonaro, o governador paulista, João Doria, imagina compor como vice de sua chapa o ministro da Justiça. Há quem entenda que a despeito de tudo o que vem ocorrendo o ex-juiz é forte candidato, hipótese que estaria na origem do seu afastamento do presidente.

Folclore

Pego o bonde no Juvevê para ir a um jogo de futebol na Baixada. Segue comigo um vizinho do meu sogro, fanático atleticano, Túlio Pereira. Converso com ele normalmente na viagem, mas quando declaro a condição de coxa branca na entrada do Joaquim Américo o homem perde a estribeira e transforma o seu guarda-chuva num instrumento de guerra que aponta para mim.

mockup