Surtos devastadores

O remanejamento de R$ 3,6 bilhões para atender demandas urgentíssimas de cinco ministérios está na origem do corte havido na pasta da Educação e alcançando universidades, entre as quais a do Paraná, tanto a UFPR com R$ 48 milhões como a UTFPR em R$ 37 milhões. É claro, porém, que tudo isso ganha o caldo ideológico das idiossincrasias da moda como a de caricaturar a abertura à diversidade e ao hoje combalido Movimento dos Trabalhadores sem Terra. Tudo começou com referências desairosas às universidades de Brasília e as da Bahia e a do Rio, que andariam com excesso de dinheiro e "fazendo bagunça e eventos ridículos", o que provocou reações como a do PSB, que ajuizou no STF uma Arguição de Descumprimento de Preceitos Fundamentais contra as medidas ministeriais.

A despeito da afirmação de reitores de que isso inviabiliza a vida acadêmica a postura oficial é determinada e traduziu-se num corte linear que alcança as 63 universidades do país. Pelo jeito será assim, como diz o deputado paranaense Gustavo Fruet, como se fosse virtuoso ser a favor da ignorância e ir contra o conhecimento e os fatos.

É sabido que um dos setores politicamente mais mobilizados do país está nas universidades, com sua representação tanto de professores como a de estudantes em diretórios centrais e a Une e por isso esse manobrismo é visto como provocação que o momento exige o cerco das cautelas para evitar precipitações. O faz de conta aí tem a sua validade porque quando o bode recua pode ser exatamente para dar a marrada mais forte, como diz a lenda. Que pode vir de todos os lados se não houver reflexão.

Pedágio e adágio

Quando o regime militar se exauria eram normais as piadas como a da história do incidente num ônibus com um militar fardado e cujo tumulto levou todo mundo para a delegacia de polícia mais próxima. E enquanto jorravam as explicações ninguém sabia por que razão o cobrador ao ver o quépi do oficial lançado ao chão aplicou-lhe um chute de quem está a bater um pênalti. E veio a explicação do atônito autor da façanha: "quando vi todo o mundo dando uma dura no milico pensei, afinal, que a revolução tinha acabado". Fato mais ou menos parecido se deu agora no pedágio da Econorte em Jataizinho, com a abertura de um desvio ao lado da praça sob a alegação de que a concessionária utiliza parte do terreno de uma chácara para guardar maquinários e cuja proprietária praticou o ato justificado no não pagamento por parte da empreiteira. O desvio foi fechado na BR-369 pela Polícia Federal, mas a fase anda tão complicada para a concessionária com as pendências judiciais que tem que acostumar-se a esse tipo de intervenção alternativa, que não consta dos códigos.

Mães & vendas

Projeções otimistas da Confederação Nacional do Comércio indicam que teremos um terceiro ano seguido de alta de vendas no Dia das Mães e que movimente no varejo R$ 9,7 bilhões em nível equivalente ao havido em 2014, que atingiu R$ 9,6 bilhões. A previsão é de que itens como o de perfumaria e cosméticos podem chegar a 11,1% e lojas de vestuário, calçados e acessórios atinjam 10,1%. Ironicamente, a fragilidade de recuperação econômica, desde o fim da recessão, tem impedido repasses de preços ao consumidor acima da taxa de inflação. Dos 19 itens que integram a cesta de bens e serviços avaliados sete estão mais baratos: artigos de maquiagem com -6,3%, tênis -2,7%, bolsas -2,2%, mas subiram acima da inflação livros 8,8%, cinema 8,3%, eletrodomésticos 8,7%. De qualquer forma é otimismo para ninguém botar defeito nessa expectativa de aumento de 3,8% sobre o movimento do ano passado. Prevê-se ainda mais vagas temporárias de trabalho: 22 mil em todo pais, maior nível em quatro anos.

Para quem está angustiado com a situação estagnada essas previsões aparentam otimismo em excesso, mas ainda na sexta (3) esta FOLHA destacou em manchete o fato de o setor de veículos ter mantido a recuperação do ano passado: em abril, 11% de alta na comparação com março, e no acumulado do ano chega a 9%. Foram vendidos em todo país 189 mil automóveis contra 170,4 mil em março. Imaginem como a economia bombará se tivermos definições claras de rumos, o que hoje tem um horizonte indefinido e cheio de mau humor e que quando se fala em mãe não é para exaltar e sim para xingar o imaginário causador das crises como se fosse um juiz de futebol prejudicando o time pelo qual torcemos.

Olhos do Doutor Mabuse

Redes sociais volta e meia pegam alguém de modo inesperado como o caso do vereador de Rolândia e agora com o prefeito de Tibagi flagrado num elevador em Brasília a fazer sexo à suposta maneira de Clinton no elevador. Essas câmeras que se espalham por aí são mais fortes que as ficcionais alusivas aos mil olhos do Doutor Mabuse.

Folclore

Queixa-se o secretário de Infraestrutura e Logística, Sandro Alex, de passar a maior parte do tempo no ministério público federal e estadual, Tribunal de Contas, Tribunal de Justiça, porque a área dele, que era cuidada pelo Pepe Richa, está judicializada. Enquanto não pegar gente do time atual que apoiava o governo anterior até dá para respirar. E a ordem é viver o bom momento, enquanto isso for possível.

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