Subserviência fatal
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
Luiz Geraldo Mazza 
Entra governo sai governo oscilamos entre estágios raros de austeridade e deslavado apego ao populismo. E a fatalidade se deu agora justamente quando o discurso liberal tomava conta e tínhamos na equipe de Paulo Guedes vários, como ele, sentinelas da escola de Chicago. Em crises anteriores vários deles pegaram o boné e se mandaram e agora só há de todo grupo só a figura do ministro. Ações da Petrobras derreteram 20% e o mercado de ações afundou 3%, e Bolsonaro está anunciando outras intervenções, com o que se prevê uma pauta populista como se deu com Dilma Rousseff, que afundou a petroleira. A CVM, comissão de valores mobiliários, entra de sola na investigação dessa intervenção.
No Brasil a austeridade, tida como reacionária e neoliberal, é exceção, a regra o populismo e dessa dicotomia não nos livramos.
Reação comum
Inconcebível, mas aconteceu: a suspensão dos concursos da Polícia Civil por decisão da Universidade Federal do Paraná. Se pretendia impedir aglomerações, falhou porque elas ocorreram de qualquer jeito e deram prejuízos enormes a candidatos de vários estados. Fala-se até em processo do governo contra a UFPR. O órgão que garante a seriedade dos concursos por seu distanciamento e aptidão magisterial, pelo texto justificatório, anuncia reavaliação para o próprio vestibular. Mancada espetacular.
O caixa
Como anda o caixa do governo Ratinho Junior? De razoável para bom, considerando os bloqueios da hierarquia dos auditores com as operações fiscalizatórias diante dos processos do Gaeco e do Gepatria do Ministério Público. Tivemos um aumento de receita de 5,6% que, descontada a inflação, dá um ajuste de 1,1% a despeito dos efeitos da pandemia no mercado. O ocorrido leva o legislativo a maiores cuidados com a elaboração do orçamento. Os números estão aí para a advertência: em 2019 tivemos R$ 40,315 bi de receita e no ano passado pouco mais em R$ 42,64 bi. Há fatores positivos como o "Nota Paraná", que em parte compensa o comprometimento administrativo e judicial da hierarquia da receita em novelesco processo que por suas cautelas tem elevada demora para conclusão.
Vacina exaltada
Submetida inicialmente à desconfiança, a aplicação das primeiras doses fez aumentar o apoio à vacinação em todo mundo. Na França, em dezembro, 58% da população a rejeitava, mas já em janeiro 56% declararam que se vacinariam. Apoios vieram também na Espanha (intenção subiu de 52% em dezembro para 66% em janeiro e 73% em fevereiro) e no Reino Unido a alta foi de 63% para 86%. O mesmo se deu nos EUA, onde as resistências eram maiores e em pesquisa mais recente o apoio chegou a 71%. No Brasil, um dos países mais impactados, o aperto da quarentena em São Paulo e na Bahia é expressão do quadro atual com exaustão das UTIs, como se dá aqui no Paraná em todas as macrorregiões como no Oeste e na capital com a rede hospitalar em colapso. A suspensão das vacinações é prova da insegurança e da ausência de planejamento que o STF visa apurar da responsabilidade ministerial, inclusive na adoção da cloroquina.
Folclore
Bolsonaro prometeu "meter o dedo na energia elétrica" sem medo do choque, como se deu no caso da Petrobras.


