Dá-se um sentido radical ao que chamamos de "situação limite": sua excepcionalidade estaria em sua essência, o fio da navalha, e essa vivência tivemos ontem com a tentativa de reverter na Câmara Federal a derrubada do veto de Bolsonaro aos aumentos do funcionalismo. Houve arregimentação máxima com esse objetivo, como se traduzisse o fim do governo, uma tragédia. Mas há outros vetos como o da desoneração da folha com poder de dividir quase igual. E se caírem os vetos o teto de gastos não foi furado e sim arrombado.

O fato é que qualquer política de austeridade pega mal no país gastador, tida como reacionária e neoliberal. Nessas horas tem-se a noção da carência de um líder que se sobreponha a tudo isso para que haja avanço. Essa a dificuldade de raiz, um dos nossos limites.

Pressão

Com o alerta de que haverá desemprego de 840 mil, o setor de bares e restaurantes volta à carga no Paraná e num momento em que há frouxidão de tal ordem que o rigor de São Paulo foi atenuado com a permissão de que os estabelecimentos funcionem por oito horas a partir de hoje com as prefeituras autorizando igual mudança. No Paraná, a demanda está na justiça porque o Ministério Público tem posição rigorosa contra a flexibilização, ainda mais com o fato de haver alta de 34% nos casos em contradição com o fato de os cromos da Globo indicarem desaceleração e deixando para trás o vermelho e até o amarelo.

O auxílio

Que não há recursos para manter os R$ 600 do auxílio emergencial já se sabe há muito tempo. Entende-se, todavia, que é indispensável mantê-lo por mais tempo, ainda que menor, talvez a metade, R$ 300, como admite a área técnica do governo federal. Compatibilizar a medida com os vetos de Bolsonaro é a dificuldade, como de resto a prometida assistência aos estados e municípios.

Previsões

A Confederação Nacional da Indústria indicou que o nível de atividade econômica voltou aos números da pré-pandemia, mas a pesquisa Datafolha revelou pessimismo de 40% quanto ao cenário econômico (desemprego, inflação, perda de poder de compra) e apenas 29% crendo que a situação vai melhorar.

Riscos

O passivo das dívidas trabalhistas e tributárias da Sercomtel poderia chegar a R$ 600 milhões, e com o leilão o prefeito Marcelo Belinati afirma que escapa desse risco e da dívida de R$ 30 mi que tinha com a empresa. A prefeitura terá autonomia sobre a companhia pelos próximos 90 dias. Por enquanto não se avista riscos judiciais e administrativos.

Folclore

Pedro Macedo, lente de desenho do Ginásio Paranaense, que precedeu o Estadual, teria aprisionado um aluno infrator num armário com bustos de Sócrates, Platão, e quando um estudante chamou a atenção do professor para o "aprisionado" que estaria com os olhos fora da órbita ouviu do mestre a expressão: "deixa o gajo morrer em paz!". São exageros e caricaturas de uma época mais dura de educar que geravam coisas inacreditáveis.

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